Ano I - edição de lançamento, Julho de 2006
Alameda Digital
Dossier Educação
O SEXO DOS ANJOS
Explicação Breve

por Manuel Azinhal

Das esquerdas não gosto, que me repugnam com a sua paixão mesquinha pelo sonho cinzento da igualdade, a sua compulsão crónica contra tudo o que se eleva, o refocilar permanente na inveja e no ressentimento.

Com as direitas tenho as maiores dificuldades.

Se aceitar o rótulo será certamente por uma direita outra, nacional e popular, moderna e tradicionalista, justicialista e identitária.

Não tenho paciência para a direita roncante, bem representada na conversa de taxista, a do todos mortos, fritos e esfolados.

Fui sempre alérgico à direita catita, a do ar condicionado, sempre atenta serventuária de todos os poderes, eterna embevecida por pastas e postos.

Aquela direita que se diz extrema só por ladrar mais grosso que as outras também não marchará ao meu lado.

A mera reacção nunca me atraiu, e a função de gladiador da burguesia também não.

Nada me une aos que medem o seu patriotismo pela sua propriedade, os que acham que tudo é negociável desde que se salvem as pratas, os que sentem que qualquer ordem é melhor do que a revolta, e não concebem o mundo sem um polícia à porta.

Com adoradores do sol, que caem de cu e se babam de gozo extasiados perante a exibição da força bruta, também não me sento à mesa. Os melhores dos nossos disseram que amavam a justiça que reina pela força. Mas era a Justiça o objecto que amavam, a força era só o instrumento para a servir.

Não, mil vezes não. Um homem pode viver só, não pode é viver sem alma.

Perguntarão o que me resta.

Resto eu, e aqueles todos, muitos ou poucos, daquela direita rebelde e insubmissa que preza mais os seus mártires que os seus ministros.

Aquela direita de homens livres, sempre desconfiada do poder, de todos os poderes. Daqueles homens altivos que são difíceis e frequentemente desalinhados, porque lhes custa acreditar, mas podem responder orgulhosamente que gato escaldado é céptico com todo o direito.

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