Valência: Papa defende a Família
por Joana Ludovice de Andrade
Realizou-se em Valência (Espanha), de 2 a 9 de Julho, o V Encontro Mundial das Famílias, com o tema “A transmissão da fé na família” e que teve o seu ponto alto no Encontro Festivo da noite do dia 8, com o Papa Bento XVI, e na Eucaristia Final, presidida por Sua Santidade e concelebrada por cerca de 50 Cardeais, 450 Bispos e 300 Sacerdotes, numa grande Assembleia de Famílias de todos os Continentes. Estima-se que cerca de um milhão tenha participado.
"O meu desejo é propor um papel central para a Igreja e a sociedade, que tem a família fundada no matrimônio", disse Bento XVI no seu primeiro e breve discurso pronunciado em espanhol no aeroporto valenciano de Manises.
O Santo Padre foi rebido com um caloroso aplauso de milhares de peregrinos que agitavam bandeirinhas brancas e amarelas, as cores do Vaticano. Saudaram o Papa quando apareceu no alto da escada do avião.
Foi directo ao assunto e ao tema do V Encontro Mundial das Famílias (EMF). Bento XVI sustentou que a família "é uma instituição insubstituível segundo os planos de Deus e cujo valor fundamental a Igreja não pode deixar de anunciar e promover para que seja vivida com sentido de responsabilidade e alegria".
Um dos encontros mais esperados desta visita foi o primeiro frente a frente entre o Papa e o chefe do governo socialista, José Luis Rodríguez Zapatero, alvo de duras e reiteradas críticas do episcopado espanhol e do Vaticano por ter impulsionado uma lei que autoriza, desde julho de 2005, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A primeira atividade da agenda do Papa durante a visita a Valência foi seguir de papamóvel para a estação de metro de Jesus, no sudeste da cidade, onde fez uma oração em memória dos 42 mortos vítimas do acidente que tinha ocorrido na segunda-feira anterior à visita.
Bento XVI dirigiu-se de seguida para a Basílica da Virgem dos Desamparados, patrona de Valência, onde rezou com as famílias das vítimas da tragédia e dali foi para a catedral contigua dar uma esperada mensagem aos bispos espanhóis.
Milhares de pessoas de todos os cantos do mundo esperavam o Santo Padre em frente à catedral valenciana, enquanto milhares de fiéis esperavam a passagem do papamóvel pelas principais vias da cidade.
Na noite do dia 8, Bento XVI teve um encontro-festa como os milhares de peregrinos que acorreram a Valencia para o ver. Insistiu no "papel central da família fundada no matrimônio" e pediu aos bispos espanhóis que mantenham o seu "impulso" e sua atividade pastoral.
Na Eucaristia do dia 9, durante a homilia pronunciada em castelhano, o Papa voltou a falar sobre a família às centenas de milhares de fiéis na missa campal celebrada perto da Cidade das Artes e das Ciências."A Igreja ensina-nos a respeitar a maravilhosa realidade do casamento indissolúvel entre um homem e uma mulher que é, além do mais, a origem da família", disse o pontífice, dirigindo-se também aos reis da Espanha, Juan Carlos e Sofia, que assistiam à cerimônia na primeira fila.Os organizadores anunciaram que 1,5 milhão de fiéis assistiram à missa além de 50 cardeais, 450 bispos e 3.000 sacerdotes.
A visita do Santo Padre à Valência foi antecedida de uma polêmica sobre a intenção "deliberada" dos organizadores do EMF - na maioria militantes do PP e membros do Opus Dei, segundo El País - de "marginalizar" o presidente Zapatero, a quem os fiéis católicos vaiaram no aeroporto valenciano de Manises, quando apertava a mão do Papa. À margem da missa que encerrou o V Encontro Mundial das Famílias (EMF), foram vários os peregrinos espanhóis a acusarem o governo socialista de "lançar por terra a família", "perseguir a Igreja", atribuindo "muita importância política " ao encontro das famílias.
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