Ano I - edição de lançamento, Julho de 2006
Alameda Digital
Dossier Educação
Zhakar Israel ?

por Luís Atapalha

MMorto um qualquer caudilho do Hamas ou do Hezbollah, outro surgirá mais fanático e mais sedento de martírio e de vingança. Procurar responder ao problema sem encarar uma solução global, participada e sustentada por instâncias internacionais, de forma firme e permanente, apenas irá contribuir para o aumento da escalada a médio prazo. Qualquer imprudente aventura belicista, tão do agrado do complexo industrial de guerra americano (e judaico), apenas servirá objectivamente a interesses particulares, alguns deles bem pouco dignos.

Com os holofotes da ribalta virados agora para o Líbano, com a anarquia e incapacidade do Poder legal na Palestina, o governo israelita dificilmente desperdiçará a oportunidade criada para acelerar e precipitar aquilo que alguns analistas já chamam a Solução Final da questão palestiniana.

Independentemente do castigo que deva ser exercido, de forma firme, dura e objectiva sobre os responsáveis dos países e organizações que promovam ou alberguem terroristas, não deixa de ser importante que nos questionemos sobre quais as razões que estão por detrás desta sanha anti-Israel.

Talvez seja politicamente incorrecto trazer à colação a necessidade de reflexão sobre a origem do profundo desespero e ódio que leva tantos seres humanos a oferecerem voluntariamente a sua vida, volatilizando-se nos ignóbeis actos a que assistimos. Mas essa é uma das chaves para a resolução do problema. Para que no âmbito das relações internacionais se possa construir uma sustentação coerente e consistente do processo anti-terrorista, há que abandonar rapidamente o primado da Realpolitik, com os seus dois pesos e duas medidas. Se consequência política há a tirar desta carnificina no Médio Oriente, é que a globalização, ou melhor, o mundialismo enquanto sua expressão política, tem de abandonar rapidamente esse pragmatismo hipócrita, com os seus dois pesos e as suas duas medidas. Pondera-se o valor da vida humana consoante a origem social, rácica, religiosa, cultural, política, etc.. Recrimina-se a revolta dos Palestinianos perante a ocupação e humilhação a que são sistematicamente sujeitos mas olha-se para o lado quando do terrorismo israelita que aplica não a pena de talião mas a chantagem do terror, tão ignóbil como a dos terroristas que raptaram os seus soldados, ao massacrar vidas que, conscientemente, sabe serem inocentes. Sempre que lhe estala o verniz, vem ao de cima a valorização e supremacia rácica do Povo Eleito...

Israel não só tem o direito como o dever de ripostar aos atentados de que é alvo mas não pode ser considerado vítima se insistir em utilizar a barbárie e o genocídio, na mesma justificação da Parábola das Abelhas que os nazis usaram contra os judeus da Europa Central.  Era como se um de nós fosse assaltado por um residente da Cova da Moura e resolvesse incendiar o bairro todo para ter a certeza de o criminoso não escaparia ao castigo.

Ao insistir em proceder desta forma, marginaliza e proletariza uma parte substancial dos seus vizinhos, lançando-a num ghetto de desespero e raiva que rapidamente se transforma em mais um alfobre de terroristas sem escrúpulos nem piedade.

E não será que Israel, ao não olhar a meios para se defender dos que considera globalmente iníquos seres inferiores (que, por acaso, eram também donos e habitantes das terras em que actualmente Israel tem o seu solo, adquiridas manu militari), não estará a usar as mesmas receitas que, no passado, tanto vitimaram o povo Judeu na Europa?

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