Ano I - Nº 1, Setembro de 2006
Alameda Digital
Dossier Portugal no Mundo
Avante, camaradas!

por José Luís Andrade

Durante muito tempo, a sempre deficitária Câmara Municipal de Lisboa subsidiou, com centenas de milhares de euros, todos os anos, uma festa partidária – a festa do Avante, órgão Central do Partido Comunista Português. Nunca tem dinheiro para nada mas para o PCP sempre se arranja qualquer coisita. Para além da iníqua questão, que ofende a essência da gestão da coisa pública, subsiste ainda a dúvida sobre se o valor desses apoios financeiros (e de outros ainda menos claros) tem sido declarado à Entidade que controla as contas dos partidos. A perceber pelo embaraço do PCP (rapidamente silenciado pela intervenção da sua máquina junto dos media) quanto ao registo do simples apuramento das receitas do evento, pensamos que não. O que dirá o habitual delator de serviço, o inefável amigo da democracia da Coreia do Norte, sempre tão pronto a esticar o dedo acusador para os outros?

Para aqueles que ainda pensam que a Igualdade é para todos, registem o acontecimento e meditem nas palavras de Orwell.

E isto para não falar da presença entre nós de pacíficos dirigentes da FARC colombiana, senhores da droga e do terrorismo, que o PCP convidou para o seu comício mais mediático. Na Colômbia e no Peru, grupos marxistas como as F.A.R.C., o E.L.N. ou o Sendero Luminoso lucram com a protecção aos campos de coca locais, recebendo dinheiro dos traficantes que operam nessas regiões andinas. A organização Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo - FARC-EP - ou Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo, em português, foi criada em 1964 como uma força de guerrillha do Partido Comunista Colombiano. As FARC-EP são a mais antiga e uma das mais capacitadas e melhor equipadas forças insurgentes do continente sul-americano.

A FARC-EP é controlada por um secretário, Manuel Marulanda Vélez, também conhecido como "Tirofijo", e seis outros, incluindo o comandante militar Jorge Briceño, também conhecido por "Mono Jojoy". É organizada juntamente às linhas militares e inclui diversas frontes urbanas. As FARC possuem entre 12.000 a 18.000 membros e mantém presença em aproximadamente 80% do território Colombiano, a maioria em florestas e selvas a sudeste da base das montanhas dos Andes.

A denominação Ejército del Pueblo ou Exército do Povo (EP) foi adicionada ao nome oficial do grupo em 1982 durante a Conferência da Sétima Guerrilha. As FARC são classificadas como uma organização terrorista por muitos países, como os da União Europeia e os Estados Unidos da América.

As FARC-EP auto proclamaram-se uma organização político-militar marxista-leninista. A organização diz representar a população rural contra as classes abastadas Colombianas e opõe-se à influência dos EUA na Colômbia (particularmente o Plano Colômbia), privatização de recursos naturais, corporações multinacionais e grupos paramilitares. As FARC-EP argumentam que esses objectivos motivam os esforços do grupo pela tomada do poder na Colômbia através de uma revolução armada. As FARC-EP obtêm financiamento principalmente através de extorsões, sequestros e tráfico de drogas.

As FARC-EP também recrutam frequentemente crianças como soldados, geralmente à força. A Human Rights Watch estima que as FARC possuem a maior parte dos combatentes menores de idade na Colômbia. Estima-se que entre 20 e 30 por cento dos combatentes da FARC têm menos de 18 anos, com muitos chegando a ter até 12 anos, contabilizando um total de aproximadamente 5000 crianças. Crianças que tentam escapar das fileiras da guerrilha são punidas com tortura e morte.

Foram dirigentes desta gente que os Serviços de Estrangeiro e Fronteiras deixaram passar e entrar em Portugal. Com cumplicidade de quem, cabe perguntar? E ainda por cima com visita paga pelo dinheiro dos contribuintes portugueses! Imaginem o charivari que a Comunicação Social não faria se, por exemplo, Le Pen (deputado europeu) ou até Berlusconi, resolvessem vir a Portugal fazer uma conferência?!

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