Ano I - Nº 1, Setembro de 2006
Alameda Digital
Dossier Portugal no Mundo
A CASA DE SARTO
O discurso do Papa em Regensburg

por JSarto

Li ontem à noite o discurso que Sua Santidade o Papa Bento XVI proferiu no passado dia 12 de Setembro, na Universidade de Regensburg, e que desde então tanta polémica tem causado à escala mundial. Em minha opinião, trata-se de uma intervenção notável e abundante de ensinamentos, ainda que não pelo motivo de todos conhecido, ou seja, o de um suposto ataque papal ao Islão, que de facto não ocorre, e apenas pode ser vislumbrado por mentes mal intencionadas e/ou analfabetas. Ao invés, tal entendimento obnubila o significado mais profundo da alocução pontifícia, o qual não foi apreendido pela generalidade de uma comunicação social pouco sensível a temáticas de natureza religiosa: na verdade, em Regensburg, Bento XVI aparta-se decisivamente daquilo a que Dietrich von Hildebrand chamava a ecumenite, isto é, o mau ecumenismo, fruto directo do espírito antitradicional que o Concílio Vaticano II gerou no seio da Igreja, promotor de um relativismo e sincretismo de inspiração maçónica para o qual todas as religiões se equiparam entre si e são igualmente válidas para a salvação dos homens, numa concepção completamente contrária a todo o espírito verdadeiramente católico.

Profundamente escorado no pensamento teológico tradicional, o Papa traça com mestria o que distingue determinantemente a doutrina católica da doutrina islâmica sobre a natureza de Deus, recapitulando um ensinamento de pura matriz tomista. Assim, por força da palavra papal, cai por terra a falácia comummente repetida pelos ecumenistas radicais de que católicos e muçulmanos adoram um mesmo Deus. Não adoram, não só porque muçulmanos negam a existência da Santíssima Trindade e, consequentemente, a Divindade de Cristo, mas também porque têm distintas concepções dos atributos de Deus, como Bento XVI tão bem sublinha!

O restante conteúdo do discurso de Regensburg, embora menos notado, tem igualmente uma enorme importância, já que o Papa de modo sucessivo:

a) em defesa da tradição católica, critica o princípio da "sola scriptura", postulado basilar da chamada reforma protestante, algo totalmente inconcebível para o "espírito do V2";

b) na melhor linha da encíclica de São Pio X, "Pascendi Domenici Gregis", censura o pensamento teológico liberal dos séculos XIX e XX, caldo onde medraram as heresias modernista e progressista, de que o mesmo Papa se assume agora como firme opositor, por obra do Espírito Santo e uma vez mais em radical contradição com o "espírito do V2";

c) finalmente, condena a mentalidade niilista das sociedades descristianizadas do Ocidente contemporâneo, bem como a superstição racionalista-cientifista por estas idolatrada, e que nada tem a ver com o uso da razão natural tal como o Cristianismo sempre a entendeu, circunstância que o Santo Padre uma vez mais explicita perfeitamente.

Em resumo, o notável discurso de Regensburg assinala a entrada do pontificado de Bento XVI em velocidade de cruzeiro e no bom caminho da tradição, dando a perceber que o nosso Papa está verdadeiramente empenhado numa efectiva restauração da Igreja Católica.

Centro Histórico de Macau - Património da Humanidade
Entrevista com Miguel Anacoreta Correia
O marketing da Nação
Património e Memória - Facetas Relevantes de Portugal no Mundo
Os Portugueses e o Oriente: grandeza e incúria
Uma língua com futuro?
Portugueses na Grã-Bretanha nestes tempos de ferro
Cooperação técnico-militar portuguesa, fundamentalismo islâmico… e os homems do passo trocado

Ora agora legislas tu...
Avante, camaradas!

11 de Setembro - declínio do modelo ocidental?
A nova face do terrorismo
Roma e o Choque das Três Civilizações
O drama dos tempos modernos

Estórias com História - Imigrantes em Lisboa

Cinema Nacional de Dimensão Universal
O caso Gunter Grass
Um “herói português”, segundo Pulido Valente
O iluminado da Moncloa

Sin novedad en el Alcázar, mi general - A Epopeia de Toledo

Madrid
Grã-Bretanha
Estados Unidos

Proemio
Ecos da blogosfera
Capa

 

Nacional Internacional Sociedade Cultura História Dossier Portugal no mundo Ficha Técnica Publicidade Contactos Apoie-nos