O Iluminado da Moncloa
por Pedro Guedes da Silva
Setenta anos certinhos depois do alzamiento que dá início à guerra civil de Espanha, impressiona o tremendo êxito editorial no país vizinho de autores como Pío Moa ou César Vidal. Com efeito, na área de livraria de qualquer El Corte Inglés, vendem-se às pilhas os livros de Moa - milhares de páginas de rigor histórico e escrita acessível capazes de fazer tombar os muitos mitos levantados no pós-transição, tudinho para irritação de um "jornalismo de causas" que vem apelando insistentemente à censura a estes autores – quando não ao seu “silenciamento” tout court. Nem de propósito, uma (tão bonita graficamente quanto miserável de conteúdo) “Breve História da Guerra Civil de Espanha”, de Helen Graham, publicada há dias em Portugal pela editora Tinta da China (Lisboa, Agosto de 2006), declara a investigação de Moa “totalmente desacreditada face a toda a investigação histórica espanhola e internacional realizada nos últimos 25 anos”. Pudera! Traduzido para português corrente, significa que o trabalho de Pío Moa é uma lufada de ar fresco no historicamente correcto.
Avesso a medos – e podia tê-los, num país em que os separatistas não são gente para grandes brincadeiras -, Pío Moa persiste na sua tarefa de desmontar mentiras – sejam as mais antigas ou as mais recentes. É justamente no seu último livro – “El iluminado de la Moncloa y otras plagas” – que fica clara uma interessante tese: a de que o poder que hoje dá cartas em Espanha, aliança directa ou indirecta (consoante os dias) de separatistas, esquerdistas e terroristas, se sente herdeira moral e política da Frente Popular que há setenta anos levou Espanha ao estado que se sabe, o que explica toda a sua actuação “fracturante”. O volume – compilação de crónicas e textos diversos publicados na imprensa (sobretudo no Libertad Digital) entre Junho de 2001 e Abril de 2005 – lê-se num abrir e fechar de olhos e permite sobretudo ao leitor observar a notável tendência de Moa para acertar com antecedência, antevendo os passos seguintes da História. E de caminho, ainda assume, a espaços, rasgos de tratado sociológico (com pinceladas de psicologia), tentando perceber e explicar o que leva a “maioria” de um povo a mudar de ideias em vésperas de uma eleição, seguindo um Zapatero que, dias antes, todos davam (socialistas incluídos) como indivíduo manifestamente incapaz. Estas páginas explicam, segundo Moa, a transição rumo à demagogia – “degradação despótica da liberdade”.
No essencial, quem ler este “El iluminado de la Moncloa y otras plagas” ficará com uma ideia clara do percurso de Zapatero desde que se assumiu como líder do PSOE até chegar a umas eleições gerais em que, dado como derrotado inclusivamente por seus pares perante um candidato conservador muito fraco, acaba por ser salvo por um gigantesco atentado terrorista e pela trágica morte de duas centenas de pessoas às entradas de Madrid. Talvez isso explique parte das simpatias do herdeiro da Frente Popular.
Quanto aos livros de Moa, que conte muitos! |