O marketing da Nação
por José Luís Andrade
Nos tempos que correm, quando a pressão do mundialismo aumenta, a soberania política das Nações é inelutavelmente ameaçada. Cada vez mais limitada e condicionada, apenas a indelével soberania que podemos designar por identitária permite resistir e manter acesa a candeia da independência nacional. Durante séculos países como a Irlanda, a Noruega, a Polónia e povos como o Israelita ou o Checo viveram sob o jugo de outros Estados, guardando, no entanto, bem viva a sua consciência identitária. Estimulados por esses exemplos, importa pois salvaguardar aquilo que nos define enquanto Nação. Essa tomada de consciência e a consequente capacidade para a afirmar são hoje peças fundamentais de qualquer estratégia de marketing de uma Nação. A apresentação e divulgação internacional de um País, muitas vezes descuradas ou ignoradas por sistema, são condições sempre subjacentes a qualquer política de projecção de força, de conquista de mercados ou tão simplesmente de afirmação de prestígio e credibilidade. Num mundo cada vez mais concorrencial, o estabelecimento de imagens de marca nacionais é um must de qualquer estratégia de desenvolvimento e afirmação. Ignorar esse facto, confiar na sorte ou na boa vontade dos parceiros é ser arrastado para uma desastrada e naive política de funestas consequências. No nosso caso, se postos perante a alternativa de comprar um produto técnico Grego ou Alemão, já nos interrogámos sobre qual não seria o peso do preconceito nacional no processo de tomada de decisão? Estando tão seguros da qualidade de alguns dos nossos produtos, já nos questionámos sobre o que decidirá um vulgar Checo se tiver de escolher entre um vinho produzido em Portugal e outro oriundo de Espanha? E porquê? Efectivamente, como todos reconhecemos, a imagem de um País reflecte-se sempre de forma inequívoca na dura realidade do panorama internacional. Saber vendê-la é, pois, uma tarefa da máxima prioridade, sobretudo quando se perspectiva um afunilamento na hierarquização nos processos de reconhecimento e decisão. |