Ano II - Nº 10, Novembro/Dezembro de 2007
Alameda Digital
Tradição e Modernidade
O Bispo Januário deu uma Entrevista

por João J.Brandão Ferreira*

É sempre um acontecimento, tão de prever quanto raramente existe outra figura da hierarquia da Igreja que apareça em público com semelhante estatuto. Porque será?

O que diz desta vez sua Excelência Reverendíssima? Isto: dá tiros nos pés; ataca os seus pares: critica o(s) Papa(s);estende-se por irrelevâncias e contradições e constitui-se em revolta contra a Igreja a que pertence.

No que, aliás; foi aplaudido pelo oráculo/comentador Marcelo R. S., logo no dia seguinte... Muito curioso.

Estou dizendo tudo isto aproveitando o que diz S.Exª sobre os “silêncios” da Igreja: ”prefiro a ruptura, a discussão.Espero frontalidade, mas habitualmente o que se usa é o truque, a hipocrisia”.

Pois aqui me tem na frontalidade e só espero que se entenda (e eles consigo),com os restantes membros do clero, após ter-lhes passado um atestado de hipócritas e “ilusionistas”...

Vejamos algumas pérolas da sua “homilia”.

Afirmou que a Igreja (presume-se que a portuguesa), é de Direita – sendo por isso que o Papa diz “que isto tem de mudar” (sic) (onde é que o Papa terá dito isto?). E segundo ele (bispo), a Igreja tem de ser de Esquerda, pois “são os ideais de justiça social, de solidariedade que competem à Igreja” (ao Estado e à sociedade não?). E nós a julgarmos que à Igreja compete actuar segundo as Sagradas Escrituras! E antes de se ter inventado os conceitos de esqª e dirª (ah,toujours la Revolution Française!), a Igreja era de que banda?.

E diz que “vejo pouca gente da Igreja a defender os direitos humanos. Há, mas pouca”. Então toda a doutrina de Cristo não consubstancia nela própria a defesa desses direitos?

Mas se juntarmos a isto outras afirmações,”porque é que não se fala do desemprego, da violência contra as mulheres, das purgas(!?) contra as crianças, da pouca vergonha instalada na Justiça?”, e “a democracia portuguesa está doente. E eu pergunto, a Igreja portuguesa diz isto? Não diz! Está a ver a mentalidade triste,num apagado e triste país?”, nós percebemos que o que o sr Bispo quer é uma intervençao politica pura e dura. Será que no seu entendimento a Igreja se deveria comportar como um partido politico?

E parece não perceber e aceitar que a estrutura da Igreja não possa ser democrática, no sentido em que as decisões não são tomadas por sufrágio; que a hierarquia é vertical e não horizontal e que não há Igreja que resista quando membros da hierarquia se criticam em público!. E nem Sua Santidade escapa: ”a Igreja tem de dar uma volta.Também ele,o Papa,em muitas coisas deve dar uma volta”. Não acham os leitores um espanto? Apetece perguntar: sois Papa?

Advoga ainda uma Igreja diferente: ”...na nossa presença, até na forma de vestir, na casa em que habitamos, o carro, o secretário, a corte”,”... deveríamos ser muito mais naturais,cidadãos mais próximos...mas devemos viver em situações normais”.

Como será isto?

Porque não começas tu óh Januário a dar o exemplo? Eis algumas ideias: aproveita a vinda do Presidente Kadhafi e acampa com ele no Rossio; veste uns jeans e vai de bicicleta até ao local de serviço (ou será que o clero trabalha?), que deixa de ser num dos aposentos ministeriais e passa para umas àguas furtadas do Convento de Mafra e entregas 90% do teu vencimento de MajGen. à Misericórdia da tua terra, já que, como afirmas, vivemos “num país de dois milhões de pobres”, etc.

E defende ainda que “o próprio Vaticano poderia entregar as coisas que lá tem”. Senhor Bispo espero que interceda por mim:não me importo de ficar com qualquer coisinha!...

E, como se tem tornado indispensável no seu discurso, lá vem com uma bicada ao Dr. Salazar (e não só): ”a Igreja foi conivente com o regime de Salazar, é uma coisa que a gente tem que dizer. Não é pedir perdão – que pedir perdão é mudar a nossa vida”.

Cabe aqui perguntar se preferia que a Igreja apoiasse o Afonso Costa (que queria acabar com a religião numa geração); ou o Joaquim Augusto de Aguiar (o mata frades), por ex., mas ficamos descansados porque como não quer pedir perdão, vai ficar tudo na mesma. Presume-se que a apoiar o regime de Salazar...

De facto é dificil perceber o que o sr Bispo pretende dizer com o que diz. Não se vislumbra outrossim, uma ideia prática e exequível, ou algo consistente em termos doutrinários, sociais ou evangélicos.

Ou então as suas concepções filosófico-teológicas são de tal modo profundas que escapam ao comum dos mortais. Exemplifico:”A ressurreição seria o caminhar mais rápido do caminhar mais lento. Mas tudo o que eu fiz na terra seria em ordem a derrotar estes fenómenos vergonhosos da morte que nós temos”. Perceberam? Eu não.

A explicação está, talvez, numa pequena introdução biográfica que encima a entrevista, em que se informa que “em Maio de 68 estava em França a estudar Filosofia com Paul Ricouer. Aí viveu tempos intensos de debate social e politico, bem como eclesial”. Nota-se que os debates para além de intensos devem ter sido baralhativos...

Ou então, o que se passa reside apenas nesta pergunta pueril: Senhor D. Januário, o sr. tem Fé?

Já pensou em resignar em vez de querer ficar, para além do que é licito, à frente da capelania militar, recusando-se a vestir farda, até aos 75 anos?

* Tcorpilav (ref)

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[1] Jornal de Noticias/Antena 1,em 24 de Nov.07

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