Dalai Lama em Portugal
por Abel Matos Santos
Ao não receber o Dalai Lama, Governo e
Presidência envergonharam a Democracia e os Portugueses
Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama, líder
espiritual do Tibete, visitou Portugal de 12 a 16 de Setembro. Sua
Veneranda Excelência, aceitou os convites que lhe foram
dirigidos pela Fundação Kangyur Rinpoché, pela
Songtsen – Casa da Cultura do Tibete, pela União Budista
Portuguesa e pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica
de Lisboa para uma Conferência Pública no Pavilhão
Atlântico e três dias de ensinamentos que decorreram no
grande auditório da Faculdade de Medicina Dentária de
Lisboa.
O Tibete é um país que foi invadido e
ocupado militarmente pela China comunista em 1949, levando à
morte, tortura e exílio de milhões de tibetanos. Em
1959, após uma subvelação nacionalista, o Dalai
Lama, líder espiritual e temporal dos
tibetanos, foi forçado a exilar-se na Índia, em
Dharamsala, onde ainda hoje se encontra bem como o governo do Tibete
no exílio.
As Nações Unidas afirmaram o seu apoio
para a protecção dos direitos humanos e liberdades
fundamentais do povo tibetano. |
Foram milhares aqueles que quiseram ouvir o Prémio
Nobel da Paz falar sobre a sua filosofia budista e a não-violência
como forma de resolver conflitos e viver uma vida melhor.
Contudo, os media portugueses centraram-se mais
sobre o facto de o Governo Português e a Presidência da
República se terem recusado a receber oficialmente o líder
espiritual tibetano.
Só Jaime Gama, enquanto presidente da Assembleia
da República o recebeu, bem como os grupos parlamentares, onde
pela primeira vez o PCP se fez representar, apesar de ser o único
a não condenar frontalmente a invasão do Tibete pela
China.
Questionado sobre a recusa do Governo português em
recebê-lo, o líder espiritual tibetano respondeu: “Não
há problema. Onde vou não quero criar embaraços”.
Disse ainda que “o propósito da minha visita é
promover o valor humano e a harmonia. Nestes [dois] campos os
governos podem fazer pouco. O público e vocês
[comunicação social] podem fazer muito mais”,
acrescentou o Dalai Lama.
Quando se lhe perguntou quando acha que o Tibete poderá
ser livre, Dalai Lama respondeu que não é a
independência que procuram mas sim a genuína autonomia
identitária do território.
“Estamos a tentar conseguir a genuína
autonomia que é a maior garantia para preservar a nossa
cultura, espiritualidade e também o ambiente do Tibete”.
Vergando-se às pressões diplomáticas
economicistas chinesas, o ministro dos Negócios Estrangeiros,
Luís Amado disse que “oficialmente, o Dalai Lama não
é recebido por responsáveis do Governo português,
como é óbvio”. Como o “óbvio” não
o era, os jornalistas perguntaram e Amado respondeu “Pelas
razões que são conhecidas”.
Bem, as únicas razões conhecidas são
as intervenções do Governo de Pequim – que gere o
Tibete como parte integrante da China – que mantém uma
estratégia de pressão diplomática sobre os
Governos que recebam oficialmente o Dalai Lama.
Apesar de não ser recebido pelo governo nem pelo
presidente Cavaco Silva, nesta sua segunda visita a Portugal, o Dalai
Lama manteve encontros com deputados portugueses e com o Alto
Representante das Nações Unidas para a Aliança
das Civilizações, o ex-Presidente da República
Jorge Sampaio, e esteve presente numa recepção
oferecida pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
António Costa.
No decorrer da visita a Portugal, o Dalai Lama manteve
encontros com entidades estrangeiras como o Conselheiro do Presidente
francês Sarkozy e o Embaixador da França para o fenómeno
da SIDA.
De salientar que depois da sua visita a Portugal, o
Dalai Lama, visitou a Aústria e depois a Alemanha onde os
respectivos Chanceleres, Alfred
Gusenbauer e Angela Merkel, receberam Sua
Veneranda Excelência, apesar dos protestos chineses que
dizem que “o Dalai Lama está envolvido em movimentos
separatistas contra a nação chinesa”.
Bem diferente da atitude de subserviência
portuguesa ao governo chinês (regime totalitário
comunista que não respeita os direitos humanos e ocupou o
Tibete pela força, matando milhares de pessoas), que
demonstrou falta de capacidade de impor a soberana
vontade nacional, defraudando e envergonhando os portugueses e
a nossa democracia.
Nem de propósito, pondo
ainda mais em relevo a iniquidade das autoridades
portuguesas,Washington entregou ao Dalai Lama, no passado dia 17,
pelas mãos do Presidente dos Estados Unidos, a maior
condecoração civil americana, a Medalha de Ouro do
Congresso.
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Artigo publlicado no âmbito de uma colaboração estabelecida com o Jornal de Coruche |