Ano II - Nº 10, Novembro/Dezembro de 2007
Alameda Digital
Tradição e Modernidade
Dalai Lama em Portugal

por Abel Matos Santos

Ao não receber o Dalai Lama, Governo e Presidência envergonharam a Democracia e os Portugueses

Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, visitou Portugal de 12 a 16 de Setembro. Sua Veneranda Excelência, aceitou os convites que lhe foram dirigidos pela Fundação Kangyur Rinpoché, pela Songtsen – Casa da Cultura do Tibete, pela União Budista Portuguesa e pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa para uma Conferência Pública no Pavilhão Atlântico e três dias de ensinamentos que decorreram no grande auditório da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa.

O Tibete é um país que foi invadido e ocupado militarmente pela China comunista em 1949, levando à morte, tortura e exílio de milhões de tibetanos. Em 1959, após uma subvelação nacionalista, o Dalai Lama, líder espiritual e temporal dos tibetanos, foi forçado a exilar-se na Índia, em Dharamsala, onde ainda hoje se encontra bem como o governo do Tibete no exílio.

As Nações Unidas afirmaram o seu apoio para a protecção dos direitos humanos e liberdades fundamentais do povo tibetano.

Foram milhares aqueles que quiseram ouvir o Prémio Nobel da Paz falar sobre a sua filosofia budista e a não-violência como forma de resolver conflitos e viver uma vida melhor.

Contudo, os media portugueses centraram-se mais sobre o facto de o Governo Português e a Presidência da República se terem recusado a receber oficialmente o líder espiritual tibetano.

Só Jaime Gama, enquanto presidente da Assembleia da República o recebeu, bem como os grupos parlamentares, onde pela primeira vez o PCP se fez representar, apesar de ser o único a não condenar frontalmente a invasão do Tibete pela China.

Questionado sobre a recusa do Governo português em recebê-lo, o líder espiritual tibetano respondeu: “Não há problema. Onde vou não quero criar embaraços”. Disse ainda que “o propósito da minha visita é promover o valor humano e a harmonia. Nestes [dois] campos os governos podem fazer pouco. O público e vocês [comunicação social] podem fazer muito mais”, acrescentou o Dalai Lama.

Quando se lhe perguntou quando acha que o Tibete poderá ser livre, Dalai Lama respondeu que não é a independência que procuram mas sim a genuína autonomia identitária do território.

Estamos a tentar conseguir a genuína autonomia que é a maior garantia para preservar a nossa cultura, espiritualidade e também o ambiente do Tibete”.

Vergando-se às pressões diplomáticas economicistas chinesas, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado disse que “oficialmente, o Dalai Lama não é recebido por responsáveis do Governo português, como é óbvio”. Como o “óbvio” não o era, os jornalistas perguntaram e Amado respondeu “Pelas razões que são conhecidas”.

Bem, as únicas razões conhecidas são as intervenções do Governo de Pequim – que gere o Tibete como parte integrante da China – que mantém uma estratégia de pressão diplomática sobre os Governos que recebam oficialmente o Dalai Lama.

Apesar de não ser recebido pelo governo nem pelo presidente Cavaco Silva, nesta sua segunda visita a Portugal, o Dalai Lama manteve encontros com deputados portugueses e com o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, e esteve presente numa recepção oferecida pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.

No decorrer da visita a Portugal, o Dalai Lama manteve encontros com entidades estrangeiras como o Conselheiro do Presidente francês Sarkozy e o Embaixador da França para o fenómeno da SIDA.

De salientar que depois da sua visita a Portugal, o Dalai Lama, visitou a Aústria e depois a Alemanha onde os respectivos Chanceleres, Alfred Gusenbauer e Angela Merkel, receberam Sua Veneranda Excelência, apesar dos protestos chineses que dizem que “o Dalai Lama está envolvido em movimentos separatistas contra a nação chinesa”.

Bem diferente da atitude de subserviência portuguesa ao governo chinês (regime totalitário comunista que não respeita os direitos humanos e ocupou o Tibete pela força, matando milhares de pessoas), que demonstrou falta de capacidade de impor a soberana vontade nacional, defraudando e envergonhando os portugueses e a nossa democracia.

Nem de propósito, pondo ainda mais em relevo a iniquidade das autoridades portuguesas,Washington entregou ao Dalai Lama, no passado dia 17, pelas mãos do Presidente dos Estados Unidos, a maior condecoração civil americana, a Medalha de Ouro do Congresso.

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Artigo publlicado no âmbito de uma colaboração estabelecida com o Jornal de Coruche

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