A
síndroma da ofensiva de Tet na segunda guerra do Iraque
por Abel
Morais
“Cette
bataille est totalement perdue, mais il n’est que deux heures. Nous
avons encore le temps d’en gagner une autre”
General
Louis Desaix a Napoleão, em Marengo
A
guerra do Iraque está perdida, como perdida estava há
muito a guerra do Vietname quando os Estados Unidos retiraram de
Saigão em 1975. Este é o argumento central dos sectores
que nos EUA reivindicam uma rápida retirada militar do Iraque,
insistindo numa comparação da actual situação
neste país com o sucedido no conflito na península
indochinesa, em especial após a ofensiva de Tet, em finais de
Janeiro de 1968.
Na noite de 30 de Janeiro de
1968, unidades vietcongues apoiadas pelo exército do Vietname
do Norte lançam um ataque geral sobre várias regiões
do Vietname do Sul e sobre a sua capital, Saigão. Com excepção
desta cidade e das de Hue e Khe Sanh, a ofensiva é
neutralizada com relativa rapidez. Os combates prolongam-se apenas em
Khe Sanh até ao início de Abril; nos restantes casos, a
situação fica resolvida antes do final de Fevereiro. A
ofensiva de Tet é uma derrota militar em toda a linha para o
Vietname do Norte, para Nguyen Giap, que a concebeu, e para os
vietcongues, que são praticamente aniquilados.
Apesar da vitória
militar, a percepção da opinião pública
nos EUA é a de que as suas forças tinham sido apanhadas
desprevenidas – o que é parcialmente verdade – e sofrido
um revés. Uma percepção ampliada pelas
reportagens nos media americanos, que exibem principalmente imagens
de cidades destruídas e operações de evacuação
de militares americanos feridos ou mortos. Percepção
que mais se confirma com o pedido feito em seguida pelo comandante
americano, general William Westmoreland, de reforços
terrestres e aéreos para o Vietname. Então, como hoje,
surge uma campanha a estabelecer um paralelo entre mais tropas e
fracasso no terreno e a inutilidade de qualquer esforço
militar. Assim, apesar da derrota que foi a ofensiva de Tet para a
estratégia norte-vietnamita, através do pessimismo dos
media americanos e da falta de vontade política do então
presidente Lyndon Johnson, o que foi perdido nas selvas e cidades do
Vietname, acabou por ser ganho em Washington. A partir deste momento,
e atendendo à natureza do regime sul-vietnamita, às
suas tensões internas e instabilidade, às condições
das suas forças armadas e respectivas opções
tácticas, a queda de Saigão transformou-se num desfecho
inevitável.
É o paralelismo com esta
situação que se pretende estabelecer hoje a propósito
do Iraque, a que não falta sequer a referência ao número
de baixas, sempre citado pelo número total de mortos e
insinuando a natureza insustentável e desnecessária de
perda de vidas de militares americanos. Não negando a dimensão
das baixas – é da crise iraquiana no contexto das decisões
políticas americanas de que se fala aqui –, a sua expressão
não ultrapassa a média de dois mortos por dia desde o
início da guerra, em Março de 2003. Como termo de
comparação, refira-se que morrem por ano mais de 40 mil
pessoas nos EUA em acidentes de viação.
Mas existe um elemento de
verdade no diagnóstico que sustenta a equivalência entre
a presente situação no Iraque e o sucedido no Vietname.
Pelo número e extensão dos erros cometidos pelos EUA,
após a derrota do regime despótico de Saddam Hussein.
Desde logo, os erros políticos.
Foram desmobilizadas as forças armadas e de segurança
iraquianas – criando-se um total vazio de poder; procedeu-se ao
saneamento do Estado de todos os elementos ligados ao partido Baas,
revogou-se a legislação em vigor – bloqueando-se o
normal funcionamento do aparelho administrativo, dos processos de
decisão e gestão corrente, num país em que
permanecem presentes redes e regras de solidariedade clãnica,
tribal e religiosa, que viram assim reforçado o seu papel
social. Estes dois factos traduzem, na prática, a destruição
do aparelho de Estado central no Iraque, o completo vazio legal e
permitem o aparecimento ou o ressurgir de tendências
centrífugas e autonómicas, ao mesmo tempo que alimentam
a expansão da delinquência comum.
Procurou-se construir uma
realidade política no Iraque, como se este país fosse a
Alemanha ou o Japão no final da II Guerra Mundial, e a partir
de um grau mínimo de compreensão não só
do Iraque e das suas linhas de fractura internas, ignorando a
conjuntura regional, em que sobressaem os “naturais adversários”
dos EUA que são o Irão e a Síria, as
preocupações turcas com a questão curda e a
situação geral no Médio Oriente. Ignorou-se, em
Washington, que os EUA são hoje vistos como instrumento dos
interesses israelitas e que a sua reputação no mundo
árabe, como vem sendo explicado há quase duas décadas
na Europa e nos próprios EUA, está comprometida por
este facto.
A destruição do
aparelho de Estado e a ficção de uma nova realidade
política no Iraque e da sua transformação
cultural a partir de um pressuposto ideológico ocidental de
fraca correspondência no mundo árabe – a ideia de
democracia representativa e todas as suas implicações –
produziram apenas a multiplicação de conflitos
políticos, a insegurança social, o agravamento de
tensões religiosas (entre árabes xiitas e sunitas),
étnicas (entre árabes e curdos) e a criação
das condições para a fragmentação da
entidade política que foi este Estado do Médio Oriente.
Assistiu-se à aplicação do princípio da tábua rasa sobre uma realidade em que são
descurados os elementos religioso, tribal, o nível de
desenvolvimento económico, as referências culturais e a
tradição como fundamento de organização
de um grupo humano, a complexidade das relações sociais
e a disparidade na distribuição de riqueza num espaço
preenchido por inúmeras tensões e regras de
interdependência, cujo cumprimento ou não pode
significar a vida ou a morte.
Neste processo não parece
ter existido qualquer perspectiva de compromisso com as referências
tradicionais da sociedade iraquiana. Por isso, desde cedo, os
americanos ficaram isolados, sem reais aliados políticos,
presos a um cego programa de engenharia político-cultural,
muito pouco condizente com uma Administração que
reivindica princípios incompatíveis com o voluntarismo
ideológico.
No plano militar, ao sucesso da
campanha Shock and Awe e à natural derrota das forças
armadas iraquianas, sucederam-se os erros de avaliação
e as decisões que mostram um optimismo criminoso – pela
situação que gerou em baixas americanas e em baixas
iraquianas, principalmente civis: mais de 650 mil –, uma total incompreensão da história militar e das
lições a retirar de outras insurreições.
Veja-se o caso da insurreição comunista na Malásia,
entre 1948-56, ou as primeiras insurreições na Argélia
francesa, no século XIX, para um desenvolvimento oposto ao
sucedido no Iraque .
Sobre o número de vítimas
civis iraquianas, que, situando-se no patamar das 600 mil,
corresponde a cerca de 3% da sua população total,
estimada em pouco mais de 22 milhões de pessoas ,
refira-se que estas mortes resultam, sobretudo, da violência
sectária confessional e do terrorismo da Al-Qaeda, apontado
principalmente à comunidade xiita.
O Departamento de Defesa recusou
desde cedo o número solicitado de efectivos para garantir uma
real ocupação e condições de segurança
adequadas no Iraque. Este erro, imputável à equipa de
Donald Rumsfeld, vai precipitar os acontecimentos que culminam com a
percepção de um desastre militar ao retardador, notória
no final de 2005. Viveu-se um momento em que “os generais
permaneceram em silêncio enquanto os estadistas envolveram a
nação numa guerra sem concederem os meios necessários”
para o combate – por isso, os segundos “partilham da
responsabilidade dos resultados” .
A preocupação com
a alta tecnologia, a opção por campanhas rápidas
travadas com um número restrito de efectivos equipados de
forma sofisticada, impediu que, na segunda guerra do Iraque, tenham
sido envolvidos os recursos necessários para garantir, no
pós-Saddam, a condição básica da
afirmação da vitória: a capacidade de manter a
segurança do território e das populações
locais, assim como de manter um alto grau de visibilidade e afirmação
do exército ocupante. Assim, “depois de falharem na previsão
das condições de combate no Iraque, os generais
americanos [e a maioria da liderança política] falharam
na adaptação aos desafios da insurreição” .
Este conjunto de circunstâncias determinou a percepção
de uma derrota americana no Iraque, tal como sucedera quase meio
século antes no Vietname. Uma percepção
reforçada na opinião pública nos EUA pelo
aumento de baixas americanas em 2004 e 2005 e pela desadequação
do discurso de Rumsfeld e, parcialmente, de George W. Bush sobre os
factos no terreno, como na guerra do Vietname as reportagens e o
pedido de tropas feito por Westmoreland contrariaram na percepção
do americano médio a ideia de que Hanói e a guerrilha
tinham sofrido um importante revés em 1968.
Devido às opções
do Departamento de Defesa, os oficiais americanos vêem-se
forçados a reduzir as missões básicas de
patrulha e segurança no terreno, abrindo as portas à
organização e livre movimento da guerrilha e dos grupos
terroristas. Mais tarde, perante a intensificação das
acções destes grupos, comete-se o clássico erro
de colocar as tropas em grandes bases isoladas de qualquer contacto
com a população local, já de si muito reduzido
devido à barreira linguística e à atitude
cultural do soldado americano. Perante o intensificar de ataques com
engenhos explosivos improvisados e de atiradores furtivos, são
reduzidas as missões de patrulha. É neste momento –
2005 – que um clima de guerra civil e de total ausência da
autoridade central se torna evidente no Iraque. Uma conjuntura que
vai permanecer ao longo de 2006.
As forças americanas
tinham perdido a iniciativa, estando cercadas por uma
atmosfera de guerra civil e debilitadas em resultado dos erros
acumulados desde o derrube do regime de Saddam. A guerrilha e
terroristas da Al-Qaeda actuam livremente em largas regiões do
país e a maioria da população entende que
depende mais das milícias organizadas por si do que pode
confiar num aparelho de Estado quase inexistente ou sob controlo, na
perspectiva sunita, de grupos adversários.
Após a destruição
do aparelho militar iraquiano, houve uma batalha que foi mal travada
– pela ignorância e optimismo irrealista de elementos da
Administração de George W. Bush, entre os quais alguns
conselheiros do círculo neoconservador. Hoje, trava-se uma
outra batalha, com número suficiente de tropas para garantir a
ocupação, ao mesmo tempo que está em curso a
reconstrução do aparelho de Estado (ainda que sob o
aspecto político permaneçam legítimas dúvidas
sobre a capacidade de manter um Estado único nos limites
geográficos do Iraque). Procede-se ao isolamento,
desmoralização e neutralização ou
cooptação de adversários. Tornou-se possível
viver em Bagdad sob uma situação de normalidade
controlada, em que o quotidiano não está determinado
pela actuação dos grupos terroristas .
No plano militar, as forças
americanas – e em menor medida, as iraquianas – ocupam o terreno,
promovem patrulhas agressivas, diurnas e nocturnas, e operações
de ocupação de áreas antes deixadas sob controlo
de milícias ou grupos terroristas. A concentração
de tropas em grandes complexos está a ser substituída
pela sua disseminação numa rede de postos que permitem
o controlo de movimentos da guerrilha, a criação de uma
noção de segurança ao iraquiano comum e a
dissuasão de situações de tensão.
Na cidade de Bagdad, uma área
urbana que se desenvolve em extensão, existe actualmente uma
malha de postos de unidades americanas e iraquianas em áreas
críticas, especialmente nos subúrbios, onde em 2004 e
2005 seria impossível pensar-se na presença de forças
do Governo central ou militares dos EUA. Uma opção
táctica aplicada desde Março, com a grande Bagdad
guarnecida com 34 destes postos .
Uma medida só possível pelo incremento do número
de tropas americanas no terreno – o que vem dar razão
àqueles que desde 2003 reivindicavam um número de
efectivos superior ao que o Departamento de Estado estava disposto a
conceder.
Reflectindo finalmente as lições
referidas sobre os casos da Malásia e da Argélia
francesa, a nova estratégia tem produzido resultados ao longo
de 2007, tendo origem em esforços desenvolvidos desde 2006. O
que prova que teria sido possível evitar os erros de 2004 e
2005. O antigo embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad,
manteve contactos com facções menos radicais da
guerrilha sunita, desde inícios de 2006, numa tentativa de as
integrar no processo político ou de obter algum tipo de
armistício e de isolar os grupos fiéis à
Al-Qaeda .
Ao longo do corrente ano está a assistir-se ao isolamento e
fragilização da rede de Ben Laden, procedendo o Governo
de Bagdad, dominado por grupos xiitas, a gestos que visam devolver
alguma medida de influência ou, pelo menos, uma sensação
de integração à comunidade sunita. Em Março,
o presidente Jalal Talabani, um curdo, e o primeiro-ministro Nouri
al-Maliki, de confissão xiita, anunciaram legislação
que permite o regresso ao aparelho administrativo central de antigos
elementos do partido Baas ,
num esforço de afastar estes da guerrilha.
No terreno, o número de
ataques a forças americanas está em declínio,
quer em termos de acções directas, quer de atentados
bombistas. Desde Junho, o número de bombas desactivadas, assim
como o número de vítimas de engenhos explosivos, caiu
significativamente. O número de ataques suicidas conheceu um
claro recuo. Os ataques com morteiros e lança-granadas em
Bagdad e, em especial, na área protegida da Zona Verde, também
decresceram. O aumento das patrulhas e as acções de
busca das forças americanas e iraquianas levou à
descoberta e neutralização de esconderijos de armas e
munições .
O aumento de efectivos nas forças armadas iraquianas é
outro factor que permite na região da capital e numa das
províncias mais críticas, a de Anbar, a estabilização
da situação.
Em Anbar, uma fractura entre os
dirigentes tribais da província e os elementos da Al-Qaeda,
que se agravou desde 2006, obrigou a organização de Ben
Laden a retirar para outras províncias, onde os níveis
de cumplicidade locais se têm revelado menores. O que é
também devido a um crescente interesse de parte da guerrilha
sunita em integrar o processo político na expectativa de
corrigir o erro das eleições de 2005, quando os grupos
políticos ligados a esta denominação religiosa,
mas também com evidentes reflexos sociais e políticos,
boicotaram as legislativas e as eleições provinciais,
deixando esta comunidade sub-representada a todos os níveis do
aparelho de poder.
O processo de reconciliação
nacional constitui o principal desafio no plano político, cujo
sucesso deve corresponder à cadeia de sucessos obtidos no
plano militar. Contudo, a partilha de poder entre a comunidade étnica
curda, que domina o Norte do Iraque, e a comunidade religiosa xiita
árabe, em maioria no Governo de Bagdad e dominante nas
províncias do Sul, e a natureza federal do Estado que resulta
da Constituição, aprovada em Outubro de 2005, deixa
pouco espaço para concessões aos grupos que insistem na
unidade do Iraque e na natureza árabe do seu Estado – e para
um nível de concessões que satisfaça a
totalidade da guerrilha sunita.
A batalha que pode ser ganha
hoje no Iraque pode também terminar num cenário de
derrota – à semelhança do sucedido após a
ofensiva de Tet (embora no calendário político da época
não constassem eleições a curto prazo, como
agora sucede) – devido à pressão que os tempos
políticos nos EUA exercem sobre a eficácia do actual
esforço. Este é um típico caso da “segunda
batalha” que Desaix referia, e os seus resultados confirmam que a
percepção de derrota em 2005 e 2006 derivava de uma
estratégia inadequada.
Mas o problema deixou de ser da
esfera dos objectivos e transferiu-se para os ponteiros do relógio
político dos EUA. Aqui, o Iraque transformou-se em argumento
eleitoral de candidatos pouco capazes de entenderem as subtilezas dos
equilíbrios geopolíticos regionais, onde Estados árabes
e Irão se enfrentam por um grau acrescido de influência,
intensificando-se os conflitos por delegação (os
exemplos do Hamas na Palestina e do Hezbollah no Líbano são
por si eloquentes do que se joga entre árabes e persas, entre
a visão sunita e a visão xiita do Islão, entre
outros factores), e onde a Turquia deixou claro quais são os
limites aceitáveis de um “Estado” curdo nas suas
fronteiras.
Insistir-se num calendário
de retirada acelerada só conduzirá a um desastre a
prazo. “A insurreição poderia desembocar numa
sangrenta guerra civil, com envolvimento da Síria e do Irão” ,
e violentas retaliações da guerrilha sunita. A saída
dos EUA seria considerada uma vitória pelos grupos islâmicos
radicais e a mais eficaz arma de propaganda da Al-Qaeda; a
intensificação do conflito iria contribuir quase
inevitavelmente para nova subida dos preços de petróleo .
Este é um cenário que, em termos geopolíticos,
seria do agrado de muitos, de Caracas a Moscovo, de Pequim a Teerão,
entre outras capitais menos óbvias.
Os objectivos são claros
nesta “segunda” batalha da segunda guerra do Iraque. Os EUA não
podem retirar sem a certeza de que aquele país não se
transforma numa plataforma para acções da Al-Qaeda e
seu centro de treino e refúgio; as tensões
étnico-confessionais devem ter uma solução
política e não conduzirem a um sangrento e interminável
ajuste de contas pelos agravos do passado e pela repartição
do poder no presente. Por último, deve ficar claro para os
Estados vizinhos que, independentemente da solução
final para o Estado iraquiano, o seu espaço geográfico
não se transforma em campo de manobras e de luta pela
influência de terceiros. Este é talvez o aspecto de
quase impossível concretização, devido até
à posição frágil com que os EUA surgem
hoje no Médio Oriente, pelo discurso ideológico
irredentista – que continua longe de obter os resultados
reivindicados pelo discurso oficial – e pelo antes referido
alinhamento com as posições do Estado de Israel .
Ao invadirem o Iraque e
derrotarem Saddam, os EUA impuseram-se o dever de impedir uma
situação política regional tão ou mais
destabilizadora e crítica do que a gerada pelas ambições
do déspota de Bagdad. Para isso, não podem esquecer a
queda do Vietname, não para a voltarem a viver noutra parte do
mundo, mas para evitar os erros – de análise de conjuntura e
de opções estratégicas – que levaram à
queda de Saigão. Por outras palavras, não transformarem
a síndroma da ofensiva de Tet na síndroma da retirada
soviética do Afeganistão. Os EUA nunca poderão
sair do Iraque como a potência derrotada e humilhada que era a
União Soviética ao retirar do Afeganistão. A
próxima Administração na Casa Branca tem de ter
presente este cenário no seu trabalho de correcção
dos erros acumulados ao longo da crise iraquiana, para evitar que um
desígnio messiânico de engenharia político-cultural
abra caminho a mais um Estado falhado. A responsabilidade inicial não
é sua, mas cabe-lhe a decisiva tarefa histórica de
rectificar os erros daqueles que leram muito, mas aprenderam pouco
com os seus mentores ideológicos.
___________________________
[1] Louis Charles Antoine Desaix (17.08.1768/14.06.1800). Reputado
oficial francês, morto em combate durante a batalha de
Marengo. É-lhe atribuída a observação
acima citada ao chegar ao campo de batalha. Napoleão autoriza
Desaix a carregar com a reserva, que comandava, sobre os austríacos,
pondo-os em fuga. Durante a carga, o general é ferido
mortalmente. É a sua acção que permite a
Napoleão obter uma vitória política e militar
relevante, não só para as armas francesas no período
revolucionário como para a sua carreira. [voltar]
[2] Sobre a guerra do Vietname, a bibliografia é infindável.
Para uma visão geral da guerrilha vietcongue, por exemplo, War in the Shadows, de Robert B. Asprey, ed. Little,
Brown and Company, 2004; sobre o conflito, Dictionary of the
Vietnam War, ed. Dell, 1983, e Vietnam at War: a History,
ed. Presidio, 1988, Philip B. Davidson. [voltar]
[3]O número de baixas americanas no Iraque pode ser consultado
em várias páginas da net. Foi aqui usada a
contabilização da Global Security
(globalsecurity.org), que detalha o número de mortos e
feridos desde o início da guerra. Nesta página é
também descrita a metodologia para a classificação
dos diferentes tipos de baixas, incluindo as baixas psiquiátricas.
São detalhadas as condições dos incidentes de
que resultaram as vítimas. Estão também
contabilizadas as baixas dos restantes países que tiveram ou
têm forças militares no Iraque. O número de
feridos americanos em situações de combate e outras é
de 28 451, segundo a mesma página, que apresenta números
até 21 de Novembro.
O número de
vítimas mortais em acidentes envolvendo veículos
automóveis nos EUA foi de 42 638, em 2005, ou seja, uma média
diária de 116 mortos. Números foram obtidos em
www.car-accidents.com.[voltar]
[4] Para uma perspectiva sobre o número de vítimas civis,
para o qual existem estimativas díspares, ver, por exemplo, Deaths in Iraq: how many and why it matters, de Michael
Tieren em opendemocracy.net. Texto actualizado em Outubro de 2007. [voltar]
[5] O caso da Malásia é analisado numa perspective
histórica e num paralelo com o Vietname em How the Lessons
of the Malayan Emergency were Ignored or Misused in Vietnam, por
John D. Burtt, em Command Magazine, n.º 11 Jul/Ag de
1991. O caso argelino é apreciado como lição
para o Iraque em From Algéria to Iraq, por John W.
Kiser, Marine Corps Gazette, 1 de Junho de 2006.[voltar]
[6] Número referente ao censo de 1997; estimativas mais recentes
apontam para uma população até 26 milhões. [voltar]
[7] A Failure in Generalship, ten.-coronel Paul Yingling, The
Armed Forces Journal, Maio 2007.[voltar]
[8] Idem, ibidem. [voltar]
[9] Baghdad Comes Alive, Rod Nordland, Newsweek, 17
Novembro 2007. A reportagem traça um retrato equilibrado do
lento regresso aos ritmos normais em Bagdad, sem deixar de sublinhar
os receios e tensões que persistem resultantes de quatro anos
de violência indiscriminada entre as comunidades sunita e
xiita e dos ataques terroristas. [voltar]
[10] Inside the Surge – the American military finds new allies, but
at what cost?, Jon Lee Anderson, The New Yorker, 19 Nov.
2007, para uma descrição de um destes postos no
subúrbio de Ghazaliya, habitado por sunitas e xiitas. [voltar]
[11] The New York Times, 25 de Março de 2007 [voltar]
[12] The Washington Post, 26 de Março de 2007 [voltar]
[13] Roadside bombs in Iraq fall sharply, USAToday, 12
Novembro de 2007. A notícia cita números de relatórios
secretos do Pentágono. [voltar]
[14] How to Win in Iraq,Andrew F. Krepinevich jr., Foreign
Affairs, Set./Out. 2005 [voltar]
[15] Idem, ibidem [voltar]
[16] Uma boa síntese destes aspectos encontra-se nos textos No
Genocide, No Al Qaeda, No Division of Iraq e Fight Al Qaeda,
respectivamente de Shawn Brimley/Michèle Flournooy e de Peter
Bergen, em Democracy- a Journal of Ideas, Outono 2007, edição
Internet em www.democracyjournal.org [voltar]
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