Suspense

Ano II - Nº 10, Novembro/Dezembro de 2007
Alameda Digital
Tradição e Modernidade
José Antonio, Entre Ódio e Amor

por F Santos

“José Antonio: entre odio y amor” de Arnaud Imatz, lançado em Novembro do passado ano, é um livro que fica para a história das biografias de José Antonio Primo de Rivera. Partindo de uma abordagem que pretende ultrapassar os preconceitos morais da esquerda e da direita, isto é, como diz o subtítulo da obra, narrar «a sua história, tal como ela foi», Imatz traz-nos um gordo volume de 616 páginas, em que apenas 248 constituem a biografia propriamente dita. Há um capítulo de mais de 130 páginas intitulado “Pensar el Nacionalsindicalismo”, em que se percorre longamente quase todas as teorias políticas do século XX. Também se percorre a história da(s) Falange(s) após a morte de José Antonio, havendo no total 75 páginas de notas que infelizmente não são de rodapé, obrigando o leitor a um cansativo vai e vem entre o texto propriamente dito e as notas situadas no fim do volume.

O autor procura caracterizar a turbulenta sociedade espanhola pré guerra civil, chamando apropriadamente a esse capítulo “Una Época de Intolerancia”; a sua exposição é pedagógica, percebendo-se que quer mostrar aos mais sensíveis à propaganda histórica que o fanatismo e violência das esquerdas (em que os do PS não ficam atrás dos do PC) é algo que, por tão flagrante, choca como tem sido ocultado por tantos pseudo-historiadores.

Em toda a obra se procura a “muleta” das opiniões mais à esquerda para desmontar os mitos históricos, como as de certo observador (Salvador de Madariaga) que dizia que a revolução de 1934 foi indesculpável, perdendo o PS toda a moralidade para criticar o posterior Alzamiento.

José Antonio é-nos mostrado como um homem que carregou sempre com o peso do seu apelido: pela associação ao pai foi sempre conotado, tantas vezes com demagogia mal intencionada, com os sectores mais reaccionários da sociedade; e sendo um “señorito” teve sempre dificuldade (algo que o frustrava enormemente) em mostrar aos operários que a Falange os defendia; mas pelos dois factos foi sempre tolerado pelos franquistas, bastante mais que as teorias que defendia fariam supor (à direita chamavam à Falange “nuestros rojos”, havendo ainda referências aos FAIlangistas – trocadilho com a FAI anarquista; de resto o livro mostra como foram mais frequentes e duradouros do que se supõe os contactos entre Falange e anarquistas).

A Guerra Civil nunca entusiasmou José Antonio, que nela via o culminar da divisão entre os espanhóis, aquilo contra o qual sempre lutou. Tal como teve muita dificuldade em aceitar a política de represálias anterior ao conflito, quando na prática a guerra já decorria nas ruas de Madrid e os falangistas eram assassinados com inusitada frequência; a sua passividade inicial neste aspecto levou o povo madrileno a referir-se à FE (Falange Española) como Funerária Española.

Imatz retrata com pormenor os problemas judiciários de José Antonio, que levariam a diversas prisões, a última delas fatal. Tentativas ao mais último nível para o salvar não foram poucas, mas todas abortaram; refira-se a censura do chefe do partido nazi em Espanha para com o cônsul Von Knoblock, patrocinador de uma tentativa de salvamento de José Antonio: «o que é que nós temos que ver com esse filho de um general?».

O livro descreve detalhadamente os problemas da Falange em aceitar a integração na franquista Falange Española Tradicionalista, de resto a exemplo dos carlistas. O drama da prisão de Manuel Hedilla, que nunca aceitou esse “Anschluss” ideológico-político é exemplar; a certo ponto Franco desabafaria que Hedilla “é um homem inocente”. Exemplo de como o Caudillo não controlava tudo em Espanha, nomeadamente o espírito revanchista da velha direita desembaraçada do bolchevismo – e do falangismo mais intransigente.

Os falangistas que se integraram no regime foram sempre etiquetados pelos “puros” como traidores. No entanto o dilema não permitia uma tomada de posição tão clara; fica a título de exemplo o falangista Girón, que foi Ministro do Trabalho largos anos e que tomou inúmeras medidas que melhoraram substancialmente os direitos e condições dos trabalhadores espanhóis. Ficar de fora era fácil; entrar no sistema permitiu implementar muitas medidas que facilmente seriam esquecidas por um ministro da velha direita.

Por estar estranhamente colocado entre dois capítulos de teor histórico, é preferível ler o capítulo “Pensar el Nacionalsindicalismo” depois de ler os restantes, de modo a não interromper a sequência histórica. Aí se aborda o marxismo, o liberalismo, o fascismo, a doutrina social da Igreja e as divergências ideológicas entre José Antonio e Ledesma Ramos. Fica, para memoria futura, a nota sobre a forma como José Antonio encarava as relações entre Espanha e o nosso país: «Não creio que a Espanha verdadeira abrigue tal sentimento [a União Ibérica]. Portugal e Espanha serão sempre duas nações irmãs e amigas mas, note-se bem, sempre duas nações». Até aqui o seu pensamento contrastou com certo franquismo triunfador e arrogante que, no final da Guerra Civil, punha novamente em questão a independência portuguesa.

Faz falta a esta obra um índice dos nomes citados, ausência tanto mais estranha quanto não faltam detalhes e a bibliografia é extensa (34 páginas), incluindo a obra de juventude do Dr. José Miguel Júdice!

Para iniciados ou conhecedores do homem e da época, “José Antonio: entre odio y amor” é uma obra indispensável.

 




Arnaud Imatz
Páginas: 624
ISBN: 978-84-89779-90-7
€ 23

José Antonio: entre amor y odio
Su historia como fue

Editora: altera [http://www.altera.net]
 

 

Tradición y modernismo en la Iglesia
A ofensiva anti-tradição
Acabemos de vez com este tradicionalismo
Algumas consequências da modernidade: por que razão já não há «interacção homem-máquina», nem «casais com filhos»
Não ser do mundo
Tradição e Modernidade
A Modernidade e os seus Críticos
Tradição e Tradições – Conservar ou Fundamentar?
Sobre a obra de Pitirim Sorokin

Dalai Lama em Portugal
Confusão surpreedente e homologação inaceitável……
“Foi Assim” por Zita Seabra - Comentário
O Bispo Januário deu uma entrevista

A síndroma da ofensiva de Tet na segunda guerra do Iraque
LAG 08
Lixado Pá!
União Europeia - Tratado de Lisboa
Cimeira UE/China
E depois da Globalização?

Suspense
José Antonio, Entre Ódio e Amor
Crónica da Falange de Madrid
Requiem por José Antonio Primo de rivera
Uma mensagem enxertada na história?
Quem é Cottinelli Telmo?
Publicação: Ao Gosto do Gosto

O ataque à igreja
Olivença Espezinhada
A Restauração revisitada
Sombras da História
O Massacre dos Inocentes

Editorial
Ecos da blogosfera
Capa

Nacional Internacional Cultura História Tradição e Modernidade Ficha Técnica Publicidade Contactos Apoie-nos