O SEXO DOS ANJOS
Chávez y Pinto
por Manuel
De um se diz que perdeu, de outro se mostra que ganhou. As notícias falam das recentes eleições na Ordem dos Advogados portugueses, onde se confirmou a vitória anunciada de Marinho Pinto, e do referendo na Venezuela, onde os eleitores desfeitearam os jornais.
São notícias importantes, a merecer mais atenção e vagar. Daquilo da Venezuela não digo nada, espere-se para ver o que trazem os próximos dias.
Quanto à nossa Ordem dos Advogados, o acontecimento parece-me relevante e significativo. Estranho o silêncio de uma blogosfera tão repleta de profissionais do foro. Devia ser devidamente comentada e analisada a vitória de Marinho Pinto.
Por exemplo, os abundantes liberais que todos os dias nos fazem luz sobre a (aparente) complexidade do mundo bem poderiam dedicar um pouco de atenção ao que se está a passar. A que deveria ser a mais liberal das nossas classes profissionais escolheu o mais socialista dos rostos que se lhe propunham!
Eu, que sou um incréu, julgo saber porquê. O problema com a mão invisível é que nunca ninguém a viu. E em contrapartida as pessoas vêem claramente outras, que lhes tecem as malhas do destino. Mas os devotos certamente têm outras explicações. Eu gostava de ouvir opiniões, e aprender com elas. Parece-me inexplicável este silêncio, como se tudo não passasse de banalidade.
A progressiva proletarização dos advogados vem ocorrendo já há uns anos largos.
A cada vez mais acentuada distância entre a advocacia tradicional e o universo dos industriais do sector, os grandes empórios onde se concentra a actividade de intermediação económica e financeira, o lobismo e o tráfico de influências, traduzido nomeadamente no "cambão do Estado" de que falou Marinho e não falou mais ninguém, é um facto notório.
O descontentamento e a revolta que se foi apoderando de uma classe em tempos prestigiada e prestigiante fizeram o resto. Que se lixem as conveniências: o grosso das tropas atirou com as aparências para trás das costas e alinhou na jacquerie.
Os demagogos caracterizam-se geralmente por não terem as respostas para os problemas que levantam, mas frequentemente levantam problemas verdadeiros. Ganham, se do outro lado nem isso. |