Ano II - Nº 10, Novembro/Dezembro de 2007
Alameda Digital
Restauração revisitada, por Mário Casa-Nova Martins
SÉTIMA ARTE
Suspense

por João Marchante

Alfred Hitchcock nasce, em Londres, em 1899. Sendo, pois, um homem do século XIX, revela, no entanto, um extraordinário sentido de utilização dos modernos meios de marketing e publicidade (antecipando-os), para divulgar as suas obras. Cedo irá transformar em marca o seu nome, tornando-o reconhecível e apetecível para toda a comunidade mundial de cinéfilos e, mesmo, para os grandes e despersonalizados públicos generalistas. Revela-se, ainda, e dentro desta estratégia de comunicação global, um especialista nas relações públicas: especialmente com a imprensa, com o objectivo de se promover.

Dito isto, há que afirmar, de imediato, que toda esta comunicação era apenas a ponta-de-lança de uma Obra complexa e profunda. Hitchcock, oriundo de uma família de classe média-baixa, é educado pelos Jesuítas. Se refiro este facto é porque os seus filmes virão a reflectir uma série de temas que terá assimilado nos seus estudos feitos na Instituição de ensino Católica, bem como a vasta cultura geral que os Jesuítas forneciam; terá, também, através destes, tomado contacto com Chesterton, que lerá entusiasmado na juventude. Outras influências literárias que o marcaram, mais tarde, foram Poe e Wilde. Ao mesmo tempo, devorava jornais; e revistas de criminologia e Cinema: curioso é constatar o casamento entre estas duas fontes de inspiração para o seu despertar como Autor de Filmes. Os seus temas serão, entre outros: falsos culpados, assassínios, troca de identidades, medo, voyeurismo, e paixões frias mas arrebatadoras.

Porém, antes de chegar à realização de fitas, começa por desenhar intertítulos para filmes mudos, escrever argumentos, e trabalhar como assistente de realização. Esta conjugação de conhecimento prático da técnica cinematográfica com a cultura que ia adquirindo pela leitura possibilita uma mestria na criação das suas narrativas fílmicas, apimentadas com o tão apregoado suspense. Mas também aqui — na Sétima Arte — Hitch (gostava de ser assim tratado) bebeu de outras fontes: Fritz Lang e Murnau — esses dois Mestres do Mudo Alemão — foram determinantes para a estruturação da sua linguagem estética; esteve, aliás, na UFA — os grandes estúdios de Berlim — e conheceu-os pessoalmente. Lá trabalhou e filmou. Esta marca será visível claramente nos seus filmes mudos, e, mais subtilmente, nos sonoros.

O seu género eleito será o melodrama policial, pontuado de fantástico e de mistério. Esbate, pois, assim, as fronteiras de vários géneros convencionais, para criar uma abordagem própria, com elementos retirados de todos eles.

No que toca à realização, o seu estilo é essencialmente visual, dando-nos a sensação de que aquelas histórias só fazem sentido em Cinema; isto é, por escrito não teriam o mesmo impacto. Sabia de tal forma o que queria que a montagem das suas películas seguia ao milímetro o que ele próprio tinha definido na planificação (última fase do argumento/guião, em que este fica pronto a ser filmado). A esta atitude chama-se trabalhar com «guião de ferro». Hitch dizia que o acto de filmar/rodar era uma maçada, pois já sabia exactamente como seria o filme ao tê-lo definido na planificação…! Esta ideia traduz uma inabalável confiança do cineasta em si próprio e uma invulgar capacidade de visualização.

Hitchcock assentava a sua estética numa cumplicidade com o espectador: dava-lhe alguns conhecimentos secretos sobre a acção, mantendo-o ansioso pelo desfecho da narrativa. Esta tensão psicológica pode levar até o espectador a querer comunicar com a personagem ameaçada para a avisar do perigo... Eis a força manipuladora do suspense.

Não havendo, no entanto, técnica que resista à falta de ideias, é preciso deixar bem explícito que o Cinema de Hitch assenta em temas fortes, já atrás referidos. Recapitulando e desenvolvendo: a Culpa — com o inocente falso culpado como fio-condutor da narrativa, entrando aqui, por vezes, a troca de identidades; o Medo — pontuado pelo susto e nas margens do Terror; o Desejo — com simbologia e alegorias sexuais; a Ansiedade — mantida pelo suspense ; o VoyeurismoPeeping-Tom, em bom Inglês, espreitando e violando a esfera privada e íntima; a Autoridade — que assegura a investigação criminal, mas também pode ser desafiada (Hitch detestava polícias vulgares, de «ronda»); a Morte — sob a forma de assassínio, o crime mais grave, e que os espectadores, morbidamente, gostam de ver no recatado conforto da sala escura. Todos eles temas de identificação e projecção psicológica do espectador. O Cinema na sua mais poderosa forma alquímica, servido pela mão de Mestre Hitchcock.

Importante é vencer o medo, esperar para ver, e perceber que a chave dos seus filmes é o triunfo final da Luz sobre as Trevas.

E, se não menciono um único filme, a justificação é simples: devem ser vistos todos, cronologicamente — dos mudos aos sonoros, dos ingleses aos americanos, dos a preto-e-branco aos a cores —, para se captar, na sua plenitude, toda a temática e todo o estilo visual e sonoro do eterno Mestre.

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