Coisas do 25 de Novembro
por João José Brandão Ferreira*
As comemorações dos eventos ocorridos a 25/11/75, têm passado quase despercebidas na maioria do pais e são feitas algo envergonhadamente (excepção para as iniciativas promovidas pela Associação de Comandos), o que está longe de bater certo com a importância histórica que tais acções tiveram para o devir contemporâneo da nação dos portugueses. Aliàs seria pertinente entender, porque é que o Dr. Mário Soares, quando ocupava o cargo de PR pôs fim a qualquer comemoração oficial. Será que lhe pesa algo na consciência?
Ao passar o entendimento pelo que se disse e escreveu sobre o 30º aniversário da data que encima o escrito, esbarrei com um aspecto que é referido amiúde e tem uma relevância muito pouco dilucidada. É esta: A frase e o desígnio atribuida a Melo Antunes de que o Partido Comunista (PCP), fazia falta à Democracia Portuguesa, salvando assim, ”in extremis”, o dito partido de ser eventualmente ilegalizado e os seus militantes perseguidos e até criminalizados.
Daí para a frente a História é conhecida, enfim naquilo que nos deixam conhecer.
Ora esta assumpção, que pelos vistos virou pacifica na sociedade portuguesa, levanta quanta a mim, uma questão que ninguém, em três décadas, se lembrou ou atreveu a colocar: porque (carga de àgua), é que o PCP faz falta à Democracia Portuguesa?
Eu, sinceramente, não sei responder e, por isso, apelo aos meus concidadãos mais esclarecidos que possam ajudar nesta matéria.
De facto, escapa à minha capacidade de percepção que um conjunto de personalidades politicas e militares que arriscaram fazenda, família e a própria vida, justamente para derrotar um assalto revolucionário ao Poder, profundamente anti democrático, promovido – dizem os própprios-, pelos comunistas e as franjas ainda mais à esquerda do espectro politico, aceitem essa frase espantosa que é a de que “o PCP faz falta à Democracia ”! E, notem os leitores, quem aceitou e promoveu este desiderato, estava consciente, e alguns o reafirmaram então, e sempre, que se perdessem, seriam fusilados!
Com os ânimos serenados e observando a prática dos PCs em todo o mundo, como se pode defender que organizações politicas cuja ideologia e prática são a antítese das ideias democráticas, (pelo menos como são entendidas no Ocidente); que se baseiam em estruturas escondidas,quando não clandestinas, de actuação; cuja doutrina já provou ser absolutamente incompetente para promover o desenvolvimento económico e a justiça social; que tem traços que vão contra a própria natureza humana, e que nos países onde estiveram ou estão no Poder, regimes que se proclamam como tal – invariavelmente-, o rasto que deixaram foi de uma multidão de mortos, miséria, perseguições, injustiças, etc, que não tem paralelo na História Universal?
Sabendo-se tudo isto (e hoje sabe-se melhor que em 1975), porque é que se insiste neste ponto de que o PCP faz falta à Democracia Portuguesa, como se fosse a ideia mais cândida e sem ninguém questionar a sua verosimelhança?
E estou apenas a falar da “Democracia Portuguesa”, não estou a chamar à colação a Nação Portuguesa. Isto é, sabendo-se, que o PCP, por ex., durante décadas, defendeu objectivamente, os interesses de uma potencia estrangeira- falamos da União Soviética -, acabando por concorrer decisivamente para a alienação de cerca de 90% do território e de 60% da população nacional, para as mãos de poderes que perfilhavam a ideologista marxista, poder-se-à fazer outra pergunta e que é esta: O PCP faz falta à Nação Portuguesa?
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A História dos povos não se pode construir sobre erros, mentiras e equívocos. E, acreditem ou não, essa é uma das principais razões porque Portugal não sai, actualmente, da cepa torta.
Oficial da Força Aèrea (ref.) |