Ano I - Nº 3, Novembro de 2006
Alameda Digital
Do PREC ao 25 de Novembro
Vitória democrata em 2006 – mudança de paradigma político nos EUA?

por Abel Morais

A primeira derrota eleitoral da Administração Bush era previsível, esperada e inevitável. O revés nas eleições de 7 de Novembro anuncia uma mudança estratégica dos democratas: a apresentação de candidatos moderados ou de perfil conservador e uma alteração na sua linguagem política com o objectivo de captar o eleitorado centrista. A combinação destes factores perfila uma revolução na estratégia democrata e o princípio do fim de uma época de hegemonia republicana.

Os republicanos foram derrotados “porque abandonaram os seus princípios conservadores e, no fim, não estavam a defender nada”, afirmou um dos principais analistas conservadores, Rush Limbaugh no rescaldo das eleições. Limbaugh não deixou de notar terem sido democratas conservadores a ganharem em estados habitualmente republicanos, abrindo caminho para a maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado. É este o ponto mais relevante das eleições de dia 7, que se destinavam a renovar a totalidade da Câmara dos Representantes, um terço do Senado, 36 dos 50 governadores estaduais, contemplando ainda uma série de referendos locais.

“Não houve uma verdadeira mensagem conservadora dos republicanos nesta campanha”. Mas, e talvez por isso mesmo, a vitória democrata de dia 7 não pode deixar de ser interpretada, em larga medida, como uma vitória dos conservadores. Isto porque os democratas deixaram para trás – ainda que não totalmente – os chamados “valores de São Francisco”, compostos pela herança dos anos 60, os “novos direitos” e a ditadura semântica das definições “correctas”, e adoptaram posições capazes de não alienarem o eleitorado centrista e franjas republicanas descontentes, por razões de política interna e devido ao Iraque, com a actuação do partido de George W. Bush e com a presidência deste.

“A liderança democrata escolheu candidatos conservadores porque sabia que os liberais [os candidatos democratas à esquerda] não conseguiriam vencer os republicanos em estados em que estes habitualmente são vencedores”, defendeu Limbaugh num comentário em que, também ele, se distanciou das actuais políticas dos republicanos. A análise de Limbaugh, com maiores ou menores nuances ideológicas, foi também a da maioria dos comentadores e do essencial da blogosfera política nos EUA. Por exemplo, no blogue TheRightThinker considerava-se que “o partido democrata está finalmente a entender a realidade política de que só conseguirá ganhar de novo a presidência se se deslocar para a direita.” Os resultados de dia 7 “foram uma vitória para os democratas centristas e um revés claro para a ala esquerda do partido, inclusive para a blogocracia democrata e para o seu candidato preferido, Ned Lamont, que foi claramente derrotado por Joe Liberman”, um democrata que teve de concorrer como independente.

Os democratas entenderam, finalmente, a importância de “se deslocarem para o centro num momento em que os republicanos parecem ter-se movimentado para a extrema-direita”, assinalava o editorial de The Economist (11 Novembro). A mesma revista indicava a importância dos democratas terem “apresentado candidatos semelhantes aos republicanos moderados”, recusando a política de polarização que vinha sendo prosseguida desde finais dos anos 90 e na qual assentaram, em larga medida, as vitórias republicanas desde as presidenciais de 2000.

Maioria conservadora
A maioria dos novos eleitos democratas vem do Sul e de áreas rurais, identificando-se em muitas questões legislativas com a opinião típica dos republicanos nessas matérias. Não foi por acaso que os responsáveis democratas pelo processo eleitoral escolheram especificamente candidatos pró-vida e favoráveis à liberdade de porte de arma – para mencionar temas que dividem o eleitorado americano e os sectores ditos ideológicos dos dois partidos – para estados em que um candidato liberal nunca conseguiria ganhar. Estes democratas conservadores conseguiram a vitória.

Um analista político, Rhodes Cook, citado pelo Christian Science Monitor (In the new Senate, the middle rules, 13 Novembro), explicava que este tipo de candidatos “foi escolhido de forma cuidadosa para não reflectir a corrente liberal do partido democrata, mas para reflectir as ideias conservadoras nos seus estados”. Cook, que comentava as eleições para o Senado, pensa que, da composição resultante das eleições de Novembro, podem resultar maiorias integrando senadores republicanos e os recém-chegados conservadores eleitos pelos democratas. O que, em certas matérias, poderá provocar votações interessantes num Senado de maioria nominal democrata, mas onde a verdadeira maioria é tendencialmente conservadora e onde o presidente deste órgão – o vice-presidente Dick Cheney – tem voto de desempate.

As novas realidades políticas parecem ter sido entendidas pela líder democrata Nancy Pelosi, uma figura conotada com os sectores mais liberais do partido, que escolheu John Murtha para a direcção da bancada (house majority leader) democrata na Câmara dos Representantes. Murtha tem o seu nome associado a políticas conservadoras – mas é um dos principais críticos dos neoconservadores – votou favoravelmente a guerra de 1991 e a de 2002 no Iraque (que veio posteriormente a criticar), alinha com os republicanos nas questões de defesa da vida e outros temas em que, por regra, os democratas sustentam posições diametralmente opostas.

O facto de Murtha ter perdido a votação para a liderança da bancada para Steny Hoyer, dando como muito próximo dos interesses empresariais e sensível a vários lobbies, resulta mais de questões de política interna dos democratas e de algumas dúvidas sobre a ética do favorito de Pelosi, do que de um distanciamento de uma possível actuação moderada e realista da nova maioria. Os jornais americanos escreviam após a eleição de Hoyer, que este conseguiu a maioria negociando os votos de muitos dos recém-chegados em troco da sua nomeação para lugares relevantes nas inúmeras comissões e subcomissões da Câmara.

O dirigente do comité de campanha democrata para o Senado, senador Chuck Schumer, caracterizou de forma clara a escolha dos candidatos numa entrevista ao Wall Street Journal (13 Novembro). “Acabaram os dias em que os candidatos tinham de estar de acordo [com o programa oficial do partido] em 28 ou mais questões e foi o que sucedeu na Pensilvânia, em que escolhemos um candidato fortemente pró-vida” para derrotar o representante republicano. “Desde que aceitou ser candidato, esteve sempre à frente nas sondagens” e depois na votação. Também nos estados de Montana e Virgínia, os candidatos democratas, respectivamente Jon Tester e Jim Webb, se apresentaram com plataformas de campanha privilegiando temas como a liberdade de porte de arma e reduções de impostos – temas tradicionais da agenda republicana. E, como bónus para o eleitorado conservador, Webb integrara um dos governos de Ronald Reagan e acompanha de perto as preocupações e interesses dos ex-militares, um grupo maioritariamente inclinado a votar republicano.

Outros candidatos democratas à Câmara ou ao Senado incluíam um vice-almirante ou um antigo jogador de basebol, que fizeram campanhas “escandalosamente” de direita. E, por conseguinte, ganharam. De modo geral, os candidatos democratas apresentaram programas eleitorais centrados em questões a que habitualmente não concederiam tanto relevo ou, se o fizessem, seria na direcção oposta à escolhida para esta campanha.

Até Hillary Clinton – comentou-se não sem algum sarcasmo – iniciou a sua “estrada de Damasco” para o centro.

Fracasso de uma estratégia
Do lado republicano, a generalidade dos analistas considera que a estratégia de George W. Bush e do seu principal conselheiro, Karl Rove, não conseguiu impedir que a votação de dia 7 se transformasse num referendo à actual administração. Por causa do Iraque, sem dúvida, mas também pelo fracasso dos republicanos em cumprirem algumas das promessas que, desde dos anos 90, lhes têm permitido obter vitórias para a Câmara e para o Senado. Uma sondagem do Washington Post realizada à boca das urnas (A voter rebuke for Bush, the war and the right, 8 Novembro), mostrava que 59% dos inquiridos estavam descontentes ou muito descontentes com a administração Bush e 36% afirmavam ter votado para expressar a sua oposição ao actual governo. Esta perspectiva é reforçada pela revista The Economist (11 Novembro) que escreve “terem sido estas eleições, segundo todas as sondagens à boca das urnas, ditadas mais por temas nacionais do que por questões locais”. Mais de 60% dos inquiridos pronunciou-se nesse sentido, ocupando a guerra do Iraque uma posição de destaque nas declarações dos inquiridos.

O Iraque acabou por se transformar na arma ideal para atacar a presidência Bush devido, em muito, à caracterização optimista da evolução do conflito que dominou a narrativa neoconservadora na época que se seguiu à queda de Saddam. Quem quer que tenha lido Irving Kristol ou Russell Kirk tem a obrigação de saber que o optimismo e o voluntarismo em política são dois péssimos factores de mobilização, cuja argumentação é facilmente neutralizável por qualquer sequência de revezes. São aliás elementos mais próprios à lista de opiáceos que sustentam as estratégias de esquerda do que fundamento para decisões conservadoras bem entendidas. E os revezes começaram a surgir desde cedo, em boa medida originados nas decisões americanas que não entenderam a natureza de uma ocupação do terreno e da interrelação a desenvolver entre as forças presentes no Iraque e a população local, para que aquelas não surgissem sob a capa de invasores, legitimando acções de resistência.

Outras decisões dos EUA no Iraque não deixaram de produzir resultados contra si próprios, como a desmobilização forçada de exército e polícia, destruindo qualquer elemento de mediação na sociedade deste país, eliminando factores de segurança pública e estabilidade social, o que contribuiu para o aparecimento de milícias sectárias e de estratégias irredutíveis em cada uma das comunidades étnicas e confessionais. Daqui a um cenário de guerra civil e de confronto privilegiado com as forças americanas foi um passo que não demorou a ser dado, com os resultados que se conhecem. Resultados incompreendidos pelo americano comum a quem se garantia diariamente uma vitória visível em lado nenhum nem em tempo algum. E o eleitor votou em consequência.

O que as sondagens à boca das urnas deixaram também claro era o descontentamento americano com a actuação dos republicanos nas duas Câmaras do Congresso. A percepção é a de que o partido de George W. Bush falhou as suas promessas de combate à corrupção, redução do défice e “emagrecimento” do governo. Na sondagem do Washington Post, 41% referiam como “muito importante” na sua decisão de voto o combate à corrupção, que não teria sido prosseguido de forma eficaz pela maioria republicana. Um dos seus representantes reconhecia àquele jornal que o partido “tem de começar a fazer as coisas de forma diferente”, dando real atenção à disciplina fiscal e às questões éticas.

Em 1994, quando os republicanos ganharam a maioria na Câmara dos Representantes fazem-no com base numa plataforma eleitoral em que sobressai o combate à corrupção, incompetência e desperdício financeiro resultantes da legislação e dos programas apoiados pelo partido democrata e pela administração de Bill Clinton. Hoje, os analistas consideram que os republicanos acabaram por cometer os mesmos erros de que resultaram as sucessivas derrotas democratas.

Nesta eleição, “mais de uma dúzia de candidatos republicanos para a Câmara viram os seus nomes associados a escândalos” de todo o tipo, desde ligações a lobbies, assédio sexual e desonestidade financeira. “O esforço dos democratas para caracterizarem como corruptos os republicanos parece ter funcionado bem este ano, conseguindo, por outro lado, neutralizar controvérsias em torno de candidatos democratas que, noutras circunstâncias, poderiam ter tido efeitos devastadores para estes”, lia-se num texto subliminarmente pró-democrata publicado no International Herald Tribune antes das eleições da votação (Washinton scandals dog republicans across U.S., 6 Novembro).

Os republicanos estão “reféns da liderança da Casa Branca”, forçados a apoiarem políticas com as quais, enquanto conservadores, só podem discordar. “Os conservadores não contribuem para expandir a influência do Estado e não oferecem direitos como instrumento para garantirem votos. Mas foi isto que os republicanos tiveram de fazer para seguirem as instrumentações vindas do topo do partido”, afirmou Limbaugh numa descrição daquilo a que um editorial do Wall Street Journal (Bridge to somewhere, 13 Novembro) a armadilha em que os republicanos caíram ao “deixarem-se corromper e seduzir pelo poder, esquecendo os motivos que tinham levado os eleitores a permitirem-lhes conquistar Washington”, isto é, deterem o controlo do Congresso e da Casa Branca.

Um conselheiro do republicano John McCain foi ainda mais transparente na caracterização da crise no seu campo. Falando após as eleições, afirmou que “os republicanos desfizeram-se dos seus princípios para tentarem manter-se no poder. Escolheram gastar tanto ou mais do que os democratas; preferiram não lidar de frente com as grandes questões ou não prosseguirem as reformas necessárias”. E pagaram um preço elevado por isso. Assim como pagaram um preço elevado em manter a estratégia delineada por Karl Rove de apostar, como tem feito desde das presidenciais de 2000, na mobilização do eleitorado fiel à custa do eleitorado flutuante, por natureza centrista, que os democratas não desdenharam captar agora, como escreveu The Christian Science Monitor (In this election, swing voters make comeback, 10 Novembro).

As eleições de 7 de Novembro, ao marcarem o possível fim da polarização eleitoral nos EUA, representaram também um momento de viragem na composição do voto democrata, que recupera significativamente o voto religioso (Democrats win bigger share of religious vote, Washington Post, 11 Novembro). Entre os católicos, 55% votou democrata e 44% republicano – ao contrário do que sucedera em 2004; e junto dos membros das congregações evangélicas, os democratas também fizeram progressos, reduzindo de 49% para 42% a margem de diferença do voto protestante para um e outro partido.

A vitória por uma geração
“Esta eleição teve a ver em 75% com a opinião que as pessoas têm sobre o presidente e 25% com as propostas dos candidatos democratas”, pensa Chuck Schumer, que reconhece ter o eleitorado penalizado o incumprimento das promessas feitas pelos republicanos ao longo dos anos, o que só podia favorecer os democratas. Estes tiveram, contudo, de iniciar uma verdadeira revolução ideológica para se tornarem uma alternativa credível. Reféns de uma ala esquerda que só os conduziu de revés em revés, os democratas abandonaram parte das suas propostas tradicionais assim como a argumentação sobre “novos direitos”, como as questões sobre a vida e as uniões de pessoas do mesmo sexo, ou questões de natureza mais ideológica para se concentrarem numa série de referências e questões que, facilmente, se podem revelar como transversais ao eleitorado: preocupações fiscais, segurança e equidade social, aumento do salário mínimo, políticas de apoio à família, preservação de valores sociais, redução de gastos governamentais a nível estadual e federal. Só a questão do Iraque veio introduzir um cunho mais ideológico na campanha democrata, mas isso foi feito porque a guerra se transformou num facto incómodo para a presidência Bush e um tema que permite uma boa gestão de um novo aspecto da estratégia democrata.

Esta nova estratégia está parcialmente ancorada nas reflexões, entre outros, de George Lakoff (professor de ciências cognitivas e de linguística) e de Geoffrey Nunberg (professor de linguística e de linguagens da comunicação), ambos académicos na Universidade de Berkeley, um estabelecimento com uma longa história de associação aos democratas.

Lakoff e Nunberg não são, de modo algum, moderados ou conservadores. Nalguns aspectos são claros representantes da ala esquerda dos democratas. Defendem apenas que a apresentação e a argumentação em torno de certas políticas deve ser feita de forma mais neutral e abrangente para, na prática, camuflar os efeitos reais que se pretendem atingir, revestindo-os de características dificilmente criticáveis. Qualquer crítica, nestas circunstâncias, transformar-se-ia num argumento que faria ricochete sobre o seu autor, apresentando-o sob um aspecto negativo.

Os dois professores de Berkely consideram que uma das razões da hegemonia republicana nos últimos anos se deve à criação de um quadro conceptual unificado que permite interrelacionar temas distintos e concluir que a prossecução de um, significa a defesa dos restantes, todos conducentes a um mesmo fim. O que quer dizer que basta criticar uma das políticas dos democratas para, em bloco, se criticar toda a argumentação deste partido – porque todas as suas políticas estariam ligadas numa relação de causa-efeito, não sendo possível alcançar um objectivo positivo a partir de práticas políticas que contêm aspectos negativos.

O objectivo de Lakoff e Nunberg é o de estabelecer novas regras para o combate cultural e uma grelha de argumentos e definições que permita moldar e hegemonizar o espaço e o conteúdo do confronto político num quadro favorável às prioridades democratas.

Lakoff propõe que os democratas organizem a sua mensagem definindo valores e referências, evitando temas geradores de antagonismos, fricções ou polarizações extremas. Em termos de campanha, os democratas devem referir-se a valores como comunidade, cooperação, justiça, lealdade, solidariedade, mobilizando a atenção dos eleitores ao nível emotivo e afectivo, evitando a polarização esquerda-direita. A forma como se fala de um assunto determina a percepção, a imagem que fica dele.

Esta aproximação é fundamental, argumentava Lakoff num debate em Berkeley no final de Outubro, porque “há muitas regiões no país onde as pessoas defendem valores progressivos [o vocábulo preferido dos democratas para caracterizar as suas políticas] mas consideram-se conservadoras, e são estes os eleitores que os democratas necessitam de conquistar”.

Com as eleições de Novembro, os democratas conseguiram superar uma barreira que Nunberg, num texto no Los Angeles Times (11 Junho), considerava indispensável ultrapassar para se vencerem “os trunfos linguísticos da direita”: as palavras e conceitos “que traduzem a concepção do mundo de direita e que todos utilizam de forma automática quando abordam as questões políticas”. Os democratas “são um partido com um problema crónico na narrativa de uma história coerente sobre si próprio”, escrevia Nunberg. Isto traduzia-se, pelo menos até às eleições de Novembro, no facto de “o vocábulo republicano atrair estatisticamente vocábulos como centro, coerente e verdadeiro muito mais do que o vocábulo democratas”. Uma ideia percorria nesse sentido as declarações dos principais dirigentes democratas desde há algum tempo – a necessidade de recuperar a “linguagem dos valores para a argumentação do partido”, o que parece evidentemente ter sido conseguido.

A vitória de 7 de Novembro – no plano dos factos e no plano das ideias – tem levado muitos dos candidatos e dos responsáveis moderados dos democratas a sustentar a absoluta necessidade de impedir que a ala esquerda volte a impor a sua agenda ao partido.

Em 2008 haverá novas eleições para o Senado e nos estados – e a eleição presidencial. Para esta ser ganha por um democrata é necessário preservar a imagem centrista do partido. “Há momentos em que o eleitorado está receptivo e o partido que cria um paradigma a demonstrar ter ganho a sua adesão, mantém esse eleitorado por uma geração. Em 1932, os democratas conseguiram isso; em 1980, foram os republicanos a fazê-lo. Em 2008, vamos ter novamente um desses momentos. Aquilo que fizermos entre hoje e aquela data mostrará aos eleitores aquilo em que acreditamos e o que somos capazes de fazer. O que fará toda a diferença” para ter um presidente republicano ou democrata na Casa Branca, defendia Schumer na conversa com o Wall Street Journal.

Em declarações ao Christian Science Monitor (13 Novembro), o mesmo dirigente democrata tornava mais claro o seu pensamento: “Se formos capazes de nos concentrarmos na família média americana normal, conseguiremos manter a maioria por toda uma geração”. Estas palavras não são apenas o reflexo da euforia da vitória. Os analistas falam de um “realinhamento do eleitorado” em certos estados e regiões dos EUA, a favor dos democratas, e num facto novo e consistente: “Nos seis anos da presidência Bush, a maior parte dos eleitores mais novos tem-se deslocado, de forma evidente, para o campo democrata”. (In this election swing voters make comeback, Christian Science Monitor, 10 Novembro). O que não deixará de ter reflexos nas presidenciais de 2008.

 
   
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