Ano I - Nº 4, Dezembro de 2006
Alameda Digital
Na Defesa da Vida

CRÓNICAS DE UM LUSITANO INTERIOR NA ÁLBION
O Um livro por Abrir

por Rafael Castela Santos

Comprei recentemente um livro sobre Murillo, o grande pintor da Santíssima Virgem Maria. Está ali, por abrir. Olha-me a partir da prateleira ao mesmo tempo que da minha cama eu o contemplo enquanto escrevo no meu portátil. Em boa verdade ainda não tive muito tempo para o apreciar. Quando o comprei sabia já que era um bom livro. Um grande amigo e excelente bibliófilo em quem deposito toda a confiança, tinha-mo recomendado. Desde que ali o coloquei tenho reparado na sua sobrecapa branca em papel couché. Na lombada, as letras do título são delicadas. Segundo me asseguraram, o texto sobre Murillo é excelente. Analisa mesmo a época em que este viveu tanto do ponto de vista histórico como do das ideias. Ainda não o li mas sei que é assim. A qualidade das litografias é impressionante. Da minha cama não as posso ver, mas já sei que me vou deliciar a apreciá-las assim que puder. Até sei que tem datas cronológicas e inclusive diagramas de alguns dos seus quadros, com a explicação de certas técnicas pictóricas. Também daqui os não posso ver mas positivamente sei que estão ali. Não deixa de ser um livro pelo facto de eu ainda o não ter aberto, por não estar neste momento nas minhas mãos, pelo facto de ainda não o ter lido. É e será sempre um livro. Inclusive, um excelente livro a partir do momento em que o seu autor o concebeu. Um grande livro. Mesmo que ainda não esteja aberto.

Um homem e uma mulher fizeram amor. Um óvulo recebeu um espermatozóide entre milhões, apenas um. E pelo milagre da fecundação essas duas células transformam-se num ser humano. Porque no momento em que essas duas células (óvulo e espermatozóide), cada uma com 23 cromossomas, se unem e se transformam numa única célula de 46 cromossomas, existe já um ser humano. Com a sua estatura, a cor do seu cabelo e dos seus olhos. Mesmo que ainda se não veja. A sua vulnerabilidade a certas doenças. Mesmo que ainda as não tenha sofrido. O seu coeficiente intelectual. Mesmo que ainda não saiba uma só palavra. O seu metabolismo e a totalidade da sua bioquímica. Embora dependa ainda e completamente do metabolismo da sua mãe. Inclusive, uma percentagem significativa da sua personalidade está codificada nesses genes. Mesmo que não tenha dito sequer uma única palavra. Nesse livro por abrir do ADN reconhecem-se todos estes dados e instruções. E muitos milhões mais. Estão aí todas as características de um novo ser humano. Todas estão aí, mesmo que ainda não tenham sido "lidas".

Ao contrário do meu livro por abrir do qual existem algumas centenas ou milhares de cópias idênticas, esta nova pessoa (literalmente recém concebida) é única. Não há nem haverá outra como ela em toda a história da humanidade, por mais que esta se prolongue.

Se aceitamos que o meu livro por abrir é um livro, como é que alguns se negam a reconhecer que esse novo ser humano é um ser humano pelo simples facto de ainda não ter sido "lido", de não se ver, de não ter crescido, de não ter atingido todo o seu potencial - que já se encontra neste óvulo fecundado - acto, para empregar a terminologia aristotélica?

Será menos pessoa ou deixa mesmo de o ser por estar ainda fechada, apenas fechada no ventre de sua mãe? Mas o meu livro não deixa de ser um livro pelo facto de ainda estar fechado e colocado numa estante.

Esta pessoa é uma pessoa desde o exacto momento em que foi concebida. Nem um segundo antes nem um segundo depois.

E, graças ao que ficou dito, esta nova pessoa tem liberdade. Liberdade para escolher. Liberdade para optar pelo bem e pelo mal. Liberdade para fazer o bem ou para seguir outro caminho.

Ai Já me esquecia! Desde o instante da sua concepção essa pessoa tem uma Alma eterna. Mas essa já é uma outra história: a história de um livro aberto com as páginas em branco por escrever.

 
   
A mulher e o aborto
A Fé no Aborto
61 razões para votar Não!
A Ética na defesa da Vida
Um Acórdão Controverso
O Médico e a Eutanásia
O que não se fala no referendo
O aborto e a raiz do problema
Lá, onde a vida se joga...
Pena de morte
Reprodução Artificial - Uma lei contra o tempo
Síndrome pós Aborto
O Referendo do Aborto visto por uma mulher
Uma solução mais VIVA !
Aborto de A a Z
A relativização da vida humana
Um Livro por abrir

Avanti o popolo? Bandiera rossa trionferá

Utilidade e manipulação do Holocausto

Alegria de Viver

A chacina de Badajoz - O mito e os factos
Patuleia
Tomás Zumalacárregui: a defesa da Tradição

Madrid
Grã-Bretanha
Buenos Aires

Editorial
Ecos da blogosfera
Capa

 

Nacional Internacional Cultura História Na Defesa da Vida Ficha Técnica Publicidade Contactos Apoie-nos