Ano I - Nº 4, Dezembro de 2006
Alameda Digital
Na Defesa da Vida

VISTO DE MADRID
Notas soltas (I)

por JLLencastre

Os jornais diários de expansão nacional foram monocórdicos na condenação ao regime de Pinochet. Se não são de estranhar as diatribes e insultos do El País, custa aceitar que um jornal centenário como ABC tenha seguido o mesmo rumo e não tenha tido a verticalidade de, com igual veemência, enaltecer o combate anti socialista que Pinochet travou no Chile. Ou referido o estado lastimável em que económica e politicamente se encontrava aquele país sob o governo de Allende. Que me recorde, só Ignacio Camacho, na sua crónica diária, fez uma justa apreciação do regime encabeçado por Pinochet, com as suas vitórias e imperfeições.

Infelizmente o referido jornal tem vindo a esmorecer a sua linha editorial e, hoje em dia, por exemplo, o seu monarquismo limita-se, tão só, ao relato e respectiva fotografia das inaugurações feitas pelos membros da Família Real - o que os outros jornais também fazem - e, por vezes (poucas), a uma La Tercera de doutrina monárquica. E nunca, baixo nenhuma circunstância, fazem a mais leve crítica que seja a qualquer membro da Família Real – e alguns deles bem a merecem.

Aqui há poucos anos a família Luca de Tena, descendente do fundador do jornal, vendeu grande parte do capital à Vocento, um dos maiores grupos de comunicação social em Espanha, e o resultado está à vista.

Escrevia com piada o Hispanidad que, embora ambas comecem por m, a Direcção do ABC não deveria confundir moderação com mediocridade.

Contudo, manda a verdade que diga, dispõe de uma plêiade de excelentes colaboradores dos quais destacaria Mingote e Martín Morales com os seus cartoons, António Burgos, Juan Manuel de Prada, Jon Juaristi, Germán Yank, Carlos Herrera, o já referido Ignacio Camacho bem como Arturo Peréz-Reverte, ao Domingo, na revista que sai com o jornal.

Acresce que tem um aspecto gráfico agradável e à 5ª feira vem com o semanário católico Alfa y Ómega.

E, quando se referem a Portugal ou a autores portugueses o que acontece com frequência, fazem-no sempre com urbanidade. Por exemplo, no seu último suplemento literário – ABCD Las Artes y las Letras – vem crítica a um livro de Quadras de Fernando Pessoa. (*)

Em resumo: apesar de uma linha editorial centrista (até quando?) o ABC continua a ser o jornal de referência da direita conservadora.

O fim do ano está aí a chegar e talvez alguns de vós decidam passá-lo em Madrid. Ou, vir um pouco mais tarde, para aproveitar as rebajas de Janeiro. Em qualquer dos casos é quase obrigatório, pelo menos uma vez, salir de tapas.

Aqui ficam algumas sugestões de locais que conheço, todos situados no Barrio de Salamanca, zona de compras por excelência, onde se encontram estabelecidas desde as marcas mais conceituadas até outras mais de bairro, com preços bastante acessíveis, e também, como não podia deixar de ser, o incontornável El Corte inglês.

O Jurucha (Ayala, 19) é um bar castiço que só serve (excelentes) tapas, com um comprido balcão de zinco, sem mesas nem bancos para nos sentarmos.

No mesmo género, mas com mesas e restaurante basco no 1º andar temos o Pimiento Verde (Lagasca, 46).

Um pouco mais “fino” e com uma frequência mais jovem a Lateral (Velázquez, 57). Para os apreciadores do gin tónico é só atravessarem a rua onde se encontra o Bar Ruleta.

No género chique a valer a charcutaria Mallorca (esquina da Velázquez com a Dom Ramón de la Cruz) é uma referência indispensável. Tem umas tapas e umas mini sanduíches estupendas.

Porém, quem preferir um bom naco de carne argentina, nada como dirigir-se à Casa Julian (Dom Ramón de la Cruz, 10) ou ao L’Entrecote (Cláudio Coello, 41 ou 70).

Se, todavia, nenhuma destas sugestões lhe agrada, e o que busca mesmo é uma marisqueira, sugiro a La Trainera (Lagasca, 60).

Na minha última crónica escrevia que o actual Governo tinha empreendido uma guerra contra as empresas de fast food que anunciavam hambúrgueres e similares tamanho XL. O que efectivamente se está a passar é que o Ministério da Saúde elaborou um plano para melhorar os hábitos alimentares da população em geral, e dos adolescentes em particular, ao qual aderiram numerosas empresas de restauração (supõe-se que de livre vontade) comprometendo-se a não anunciar produtos considerados prejudiciais para a obesidade. Ora, uma das subscritoras do acordo, não o está a cumprir e anuncia os tais hambúrgueres XL, para cúmulo com anúncios de muito mau gosto. Trata-se, portanto, de uma questão de honradez e não de falta de liberdade.

Desejo-vos a todos um Santo Natal e um próspero Ano de 2007.

___________________

(*) Cantares (Quadras)
Fernando Pessoa
Edición Bilingüe
Versão de Jesús Munárriz
Hiperión, Madrid, 2006
233 Páginas, 12 euros

   
A mulher e o aborto
A Fé no Aborto
61 razões para votar Não!
A Ética na defesa da Vida
Um Acórdão Controverso
O Médico e a Eutanásia
O que não se fala no referendo
O aborto e a raiz do problema
Lá, onde a vida se joga...
Pena de morte
Reprodução Artificial - Uma lei contra o tempo
Síndrome pós Aborto
O Referendo do Aborto visto por uma mulher
Uma solução mais VIVA !
Aborto de A a Z
A relativização da vida humana
Um Livro por abrir

Avanti o popolo? Bandiera rossa trionferá

Utilidade e manipulação do Holocausto

Alegria de Viver

A chacina de Badajoz - O mito e os factos
Patuleia
Tomás Zumalacárregui: a defesa da Tradição

Madrid
Grã-Bretanha
Buenos Aires

Editorial
Ecos da blogosfera
Capa

 

Nacional Internacional Cultura História Na Defesa da Vida Ficha Técnica Publicidade Contactos Apoie-nos