Uma solução mais VIVA !
por Maria Goes
A minha filha Marta tem dois anos e meio. Quando tem sono e quer adormecer,
põe a mão direita sobre a cara, de tal forma estendida
e aberta, que a cobre da testa ao queixo, passando pelo nariz.
Quando me
ponho a pensar desde quando é que ela faz isto, fico sempre
impressionada ao me lembrar que é desde sempre. A primeira vez
que a vi nesta posição, foi na primeira ecografia,
realizada perto das minhas doze semanas de gravidez. Este hábito,
tão interiorizado nela, tão ternurento e tão
único, há-de acompanhá-la penso que ainda
durante alguns anos…
Durante
os três anos em que trabalhei, como psicóloga, no Ponto
de Apoio à Vida, tive oportunidade de acompanhar várias
vidas – principalmente de mães e filhas – necessitadas de
todo o apoio, compreensão, carinho e encaminhamento.
Quando
nos confrontamos com o drama de uma mãe perante uma gravidez
não desejada, sejam quais forem as razões, a melhor
ajuda que lhe podemos prestar, é percorrer com ela um caminho,
o caminho desde o instante em que se dá conta que tem uma nova
vida dentro de si, até à interiorização
do que isso significa – o milagre da vida.
Este é
um caminho muitas vezes duro e cheio de obstáculos – desses
todos nós temos exemplos – mas que pode terminar na
descoberta, muitas vezes na redescoberta, de que essa vida que se vai
desenvolvendo no interior mais íntimo de cada mãe, é
mais importante, mais valiosa e superior a qualquer obstáculo
que se nos cruze.
O que eu
pude confirmar nestes anos em que tive o privilégio de fazer
parte deste projecto, apenas com a disposição de fazer
este caminho com cada mãe, foi de entre muitas outras coisas,
o facto de estas mães, algumas desesperadas, outras sozinhas,
outras apenas com muitas dúvidas, ansiarem, ainda que algumas
vezes sem o saberem por uma resposta – que muitas vezes se traduziu
numa casa de acolhimento – eficaz, com resultados positivos aos
olhos de todos; não necessariamente a mais fácil, mas a
mais correcta, a mais natural, a que, no fundo, acolhe, respeita e
promove a vida da mãe e do filho ou da filha.
Porque,
se quisermos resumir, é disto que se trata; duma mãe e
de um filho ou filha. Ou aceitarmos fazer o caminho com a mãe
até que ela conheça e ame o seu filho, ou dizermos-lhe:
"não vale a pena, agora, aos olhos da lei, já
podes fazer um aborto, sem que te pese tanto a consciência…"
Mais uma
vez, da experiência riquíssima que vivi sempre que
iniciei caminho a favor da vida de cada mãe desesperada,
retive esta ideia muito clara:
Para
terminar definitivamente com o drama e a angústia de uma
mulher grávida, vale tudo, menos ser cúmplices da
decisão de terminar com a vida do próprio filho ou
filha.
Elas, no
fundo, não esperam essa cumplicidade (ainda que legal),
procuram, anseiam e desesperam por uma verdadeira solução
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