Federação Portuguesa Pela Vida
Reprodução do texto integral lido pela Dra. Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa Pela Vida, na conferência de imprensa realizada em Lisboa em 15 de Fevereiro de 2007
Boa tarde a todos,
Em primeiro lugar quero
agradecer a presença da comunicação social.
1 – O Povo Português acaba de ser
chamado a pronunciar-se sobre a despenalização do
aborto. Fê-lo pelo voto, mais nobre forma de exercício
do poder em democracia.
2 –
O SIM no referendo teve mais votos, isto é,
em votos expressos, ganhou. Por isso, impõe-se agora que
assuma as responsabilidades inerentes.
3 – Porém, 48 horas após o
encerramento das urnas, verificou-se que o PS mentiu por
estratégia eleitoral. Dirigentes ao mais alto nível
do PS, em campanha eleitoral, garantiram aos portugueses que com esta
pergunta o aborto não seria liberalizado e por isso, seria
exigido aconselhamento e acompanhamento às mulheres, a fixar
na regulamentação da lei. Senão vejamos:
4 - A campanha eleitoral é o momento
próprio para que as diferentes propostas submetidas ao voto
sejam apresentadas e conhecidas dos eleitores. No referendo ao
aborto, SIM e NÃO, fizeram esse trabalho.
5 – O NÃO disse que a pergunta era para
liberalização do aborto, sem regras nem limites, que
não o prazo e a vontade da mulher.
O SIM objectou
afirmando, que a regulamentação do aborto a pedido
criaria um quadro legal de aconselhamento, dissuasão e
consentimento informado.
Do lado do SIM tivemos,
entre outros, a fazer campanha, o actual Primeiro Ministro e
Secretário Geral do PS assim, como outros membros da actual
maioria parlamentar de que recordamos as Deputadas Maria de Belém
Roseira e Ana Catarina Mendes, os quais em intervenções
públicas disseram aos Portugueses que caso o SIM vencesse, a
lei de regulamentação iria prever o aconselhamento e
acompanhamento obrigatórios das mulheres que praticassem o
aborto. Assim como impositivos em ordem ao planeamento familiar
acompanhado por técnicos de saúde.
Afirmaram ainda estes
dirigentes do partido do governo, que seria uma lei “moderada”,
não estando em causa a liberalização do aborto,
por não ser isto o pretendido.
6 - Ora, 48 horas volvidas sobre a decisão
do povo português assistimos a declarações do
líder da bancada do PS, em que é negado tudo o atrás
enunciado. Alberto Martins diz «Não haverá
aconselhamento obrigatório à revelia do que foi o
mandato popular», confirmando assim que, o aborto será
totalmente livre até às 10 semanas e apenas por
«vontade» da mulher.
Hoje o consentimento
informado é uma prática na área da saúde,
donde se conclui que o povo português foi dolosamente enganado.
7 – Ontem ouvimos Ministros e Deputados afirmar
que o SIM iria combater o aborto. Hoje ouvimos os mesmos a dizer que
o aborto não implica regras de conduta ou a prestação
de cuidados para o consentimento informado.
Ontem ouvimos Ministros
e Deputados afirmar que o aborto seria praticado pelo SNS pago pelo
Estado. Hoje ouvimos os mesmos dizer que o SNS não tem
capacidade para prestar o serviço de aborto a pedido.
Ontem ouvimos Ministros
e Deputados dizer que a vida do bebé e a saúde da mãe
é uma preocupação de todos que se assegura com a
despenalização. Hoje ouvimos os mesmos Ministros e
Deputados dizer que a vontade da maioria não pode impor
limites à vontade da mulher.
Ontem Ministros e
Deputados prometiam-nos que o negócio do aborto iria terminar
com a despenalização.
Hoje sabemos pelas
primeiras páginas dos jornais que as clínicas cujo
negócio é o aborto estão preparadas para se
instalar em Portugal, o que não se compadece com o
aconselhamento prometido.
8 – Num país e num tempo em que a política
e os políticos têm com o povo e os eleitores um divórcio
reconhecido, vermos nestes quatro dias após o referendo cair
de forma tão grosseira os compromissos assumidos faz-nos crer
que este é mais um passo para, no mínimo, o descrédito
acentuado da política.
Para nós, a
política é uma norma tarefa. Neste momento, mais
confrontáveis com a sua consciência estão aqueles
que ficaram em casa e não foram votar.
9 – A FPV, em nomes das dezenas de movimentos e
associações que por todo o país levam por diante
diariamente um trabalho de defesa da dignidade da vida humana e da
mulher e dos milhares de cidadãos e grupos cívicos que
se empenharam nesta campanha eleitoral não pode nestas horas
de profunda perplexidade deixar de:
-
Aos
políticos que defenderam o SIM no referendo e em especial ao
partido da maioria, recordar os compromissos eleitorais
assumidos em sede de campanha.
-
Ao
povo e em especial aos eleitores, denunciar esta mentira usada como
estratégia eleitoral e agora posta a nu.
-
A
todos os portugueses lançar um desafio de alerta para:
-
A
arbitrariedade do poder
-
O
ofuscar das verdadeiras necessidades do povo
-
O
verdadeiro combate ao aborto que legal ou ilegal será sempre
uma chaga
- As
medidas públicas de apoio à família, mães
e crianças em dificuldade, que de imediato devem ser
exigidas.
Tudo pela dignidade e
liberdade de mulheres e homens de Portugal.
Federação
Portuguesa pela Vida
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