Ano I - Nº 5, Janeiro de 2007
Alameda Digital
Segurança e Defesa
Imigração

por João de castro de Mendia

Na Holanda, pais de muitos e contraditórios costumes, está-se a reflectir nas organizações cívicas e tradicionais da sua sociedade o efeito da inadaptabilidade de muitos imigrantes e sobretudo nos de religião islâmica. Tal como em qualquer outro país ocidental, e tolerante, por conseguinte, todos os estrangeiros terão na Holanda oportunidade para se integrar e contribuir para a evolução normal desta terra. Só que esta tolerância tem feito com que os inimigos do sistema se convençam que deverão ser os holandeses a adaptarem-se aos seus estranhos costumes, e não eles aos do país que os acolhe.

Muitos “truques” têm sido ensaiados por estes imigrantes para se manterem a aproveitar do generoso sistema que este país lhes proporciona, o que obrigou já as autoridades a tomar medidas para os evitar, como a existência de casamentos arranjados que servem para importar os cônjuges e fixar mais imigrantes. Outra das medidas são os cursos de integração que passaram a ser ministrados aos que vão chegando, e logo que chegam. Estes cursos de integração são, a partir de agora, obrigatórios ( 700.000 imigrantes na Holanda não têm o holandês como língua prioritária). Os subsídios de desemprego são igualmente suprimidos às mulheres que, obstinadamente, insistam no uso da “burqa” em locais públicos, e proibidas, entre outras, por simples razões de segurança.

As associações de muçulmanos, como se perceberá, estão furiosas com estas medidas, a ver pelo que disse o seu lieder, Mostapha el-Filali: “Esta (ministra) foi longe demais”.” Os muçulmanos têm a impressão de estarem constantemente na linha de mira! Situação que tem levado a que muitos não aceitem mais esta pressão e prefiram, apesar dos problemas que reencontrarão, regressar às suas casas”. Em 2004, por exemplo, o retorno às origens aconteceu já a mais de 4.000 turcos e a 2600 marroquinos.

Em Portugal, o sentido de Estado por parte de qualquer membro do actual executivo socialista é uma exasperante e completa inexistência. E isto, tanto por esta gente não ter de todo esse sentido, como por não ter tido nunca a noção do que isso possa ser, dada a mentira histórica e política com que os inebriaram na escola. Passou assim o nosso Pais a ser uma mera parcela do mercado de transacções, onde quase sempre perdemos. O paradigma nacional passou a flutuar ao sabor de cotações da ideia de soberania cujo sentido foi sonegado ou manipulado nos programas curriculares pelas mesmas famílias políticas que há 30 anos mandam em Portugal. Mas acontece que, todos os outros Estados, europeus e não só, vão mantendo a essência daquele conceito, que usam e consomem cada vez mais em normalíssima defesa dos seus interesses.

Esta atitude do governo perante o Estado é a antítese do seu sentido e oposta à que sempre teve, até, a maioria da população portuguesa. A semelhança entre o que para os governantes é o nosso País e uma empresa ou organização cujo “governing” apátrida e igualitário ditado por uma qualquer central jacobina a que estão obediente e humilhantemente submissos, é enorme. Não estará assim muito longe de acontecer o que sucede com a importação de imigração bastante por essa Europa fora. E como as causas do alastramento dessa mancha não foram acauteladas pela criminosa demagogia do politicamente correcto, o controlo de tudo e de todos passou a ser cada vez mais apertado, aumentando a toda a hora a dependência de um “big brother” imoral e quase insuportável a que passamos a estar submetidos.

A guerra cada vez mais ostensiva e furiosa desencadeada à religião Católica, e à sua Igreja muito em especial nos países europeus, o crescente aumento da mancha islâmica na Europa, (não por opções novas que alguns possam ter tomado mas pelas atitudes racistas que acabam por ser as políticas de Zapatero, e outros), e, por outro lado, a manutenção das tradições e até o reforço das raízes cristãs nos Estados Unidos da América e noutras paragens, estão a criar um ambiente onde vai aumentando a probabilidade de se poder desencadear a tal guerra de que já tantos, e tanto se fala.

Giscard d’Estaing, na sua alucinação política que foi a constituição europeia, decretou que a Europa não deveria ser um clube Cristão. Como se a Europa passasse, por decreto, a ter que esquecer a sua origem milenar para deleite deste senilisado e megalómano jacobino, e passasse a ser outra coisa. Os países europeus são, mesmo, o tal Clube Cristão. Queiram os Giscards ou não. Mas quem não é dele, como o Giscard, deixe de tentar que ele seja outra coisa qualquer, por não ser da natureza dos povos, e muito menos das suas histórias, deixarem de se ser o que sempre foram. Mais. O que os países europeus não são é o clube ateu que os Giscards, querem que sejam. Ainda.

Como os novos filósofos franceses dizem, e escrevem, como Jean Sévillia e outros, cada vez mais e a propósito de um cada vez maior número de situações as motivações que sempre deram origem aos grandes conflitos são, exactamente, aquelas que hoje em dia estão na ordem do dia. Só que hoje acha-se que esse risco deixou de ser relevante, sacrificando-se a violenta e perigosíssima realidade ao politico e estupidamente correcto. Mas não deixou.

A deflagração de uma guerra acontece a propósito das coisas aparentemente mais insignificantes, como se sabe. E o exaspero de sermos governados como se o destino de um País pudesse navegar ao sabor dos interesses de um medíocre pretor, cujo exército, por ter deixado de ser nacional, passou a estar ao seu serviço, ou de fregueses, aquelas tais coisas têm aparecido nos círculos mais surpreendentes.

Em Portugal, a tragédia da actual situação é termos no poder um naipe de gente menor, a começar pelo Primeiro-ministro, e de uma tal ignorância, sobretudo histórica, que chega a admitir que é bom aquilo que anda a fazer. Fazer mal, e coisas erradas, será mau. Mas não ter a noção disso, é trágico. Porque, quem irá para a guerra, quando isso se colocar, não serão eles; seremos nós. A não ser que o bem que dizem fazer estiver na lógica da tal Ordem, obediente a poderes que se sabe que existem, e até quais são, o que torna as coisas bem piores.

Poder-se-á dizer que as guerras estarão longe da chamada convivência democrática e que hoje deixou até de existir o conceito de inimigo. Somos todos amigos. Só que temos soldados no Afeganistão, no Líbano, na Palestina, no Congo, em Angola, em Moçambique, em Timor, e também na Bósnia, aqui bem na Europa, e de metralhadoras nas mãos prontos a matar e a morrer……pela paz? E a mancha islâmica, combate por quem, e porquê?

   
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