Ano I - Nº 7, Março/Abril de 2007
Alameda Digital
Europeísmos
Eleições no Sidonismo

por Mário Casa Nova Martins

As eleições tiveram lugar a 28 de Abril de 1918. Com elas inicia-se um segundo período na I República, a denominada “República Nova”.

O golpe de estado liderado por Sidónio Pais aconteceu a 5 de Dezembro de 1917. Sidónio preside a uma Junta Revolucionária.

Para legitimar o novo regime, é decretado a 11 de Março de 1918 o sufrágio universal, e são marcadas eleições presidenciais e legislativas para o final do mês seguinte.

A estas eleições apenas concorre Sidónio Pais ao cargo de Presidência da República, enquanto os três principais partidos da República, da “República Velha”, não se apresentam a sufrágio, tendo surgido a sufrágio um novo Partido, apoiado pela Junta, o Partido Nacional Republicano.

Caracterizou-se este curto ano que durou a “República Nova” pelo restabelecimento das relações entre o Estado Português e a Santa Sé, e pela melhoria da situação da igreja portuguesa, através do decreto de 23 de Fevereiro que alterava a lei de separação entre o Estado e a Igreja.

Também a situação dos monárquicos sofre alteração, que conquistam uma liberdade de acção e de pensamento como não tinham desde o derrube da Monarquia.

É com esta mudança de política, quer em relação à igreja, quer em relação aos monárquicos, que Sidónio Pais constrói a sua base de apoio.

Nos dois círculos eleitorais do distrito de Portalegre, Elvas e Portalegre, apresentam-se às eleições os elementos do Partido Nacional Republicano e monárquicos. Nestes dois grupos, estão nomes que mais tarde no Estado Novo terão papel de relevo.

Mas é no campo monárquico que se encontram dois nomes que irão desenvolver posteriormente um trabalho doutrinário que ainda hoje é referência, a corrente do Integralismo Lusitano.

As figuras de Pequito Rebelo e António Sardinha, jovens à época, tinham na altura já um prestígio que os levaram a concorrer ao acto eleitoral, liderando os monárquicos. Não chegaram a ser eleitos, mas as votações que obtiveram mostravam a força que então ainda tinha a Monarquia no distrito.

Anexos

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A Plebe

Director e Editor

José Lúcio Gouveia (Barão de Gafete)

Presidente da Comissão Distrital

Portalegre – Domingo 21 de Abril de 1918 – Ano XXIII – N.º 1169 – pg.3

 


Eleições

No centro Democrático desta cidade realizou-se na passada quarta-feira uma importante reunião política a que compareceram os dedicados republicanos António da Graça Ralo, como representante dos Evolucionistas, e Luiz de Sousa Gomes, pela União Republicana.

Abriu a sessão o cidadão Francisco de Brito, que se congratulou pela presença de todos os republicanos, dando em seguida a presidência da sessão ao cidadão Luiz Gomes, que convidou para secretários os velhos republicanos Manoel Geraldo Cassola, democrático, e António da Graça ralo, evolucionista.

Sobre a convocatória falaram os srs. Francisco de Brito, Manoel Cassola, Luiz Gomes, Graça Ralo, José António Costa e Júlio Fernandes, resolvendo-se iniciar hoje a campanha explicativa das razões que levaram os três partidos organizados da República à abstenção eleitoral.

A sessão, que após a sua abertura esteve suspensa por um minuto, em sinal de sentimento pela morte do dedicado republicano Vicente José Louro, terminou pela leitura de dois telegramas enviados aos comandantes das nossas tropas em França e em África, tendo durante ela vibrado o mais intenso amor à República e erguendo-se entusiásticos vivas aos chefes políticos e à União dos Republicanos, etc.

.

..

Consta que o governo vai nomear por este círculo deputados os srs. José Godinho Neves, Vasconcelos e Sá e José Pequito Rebelo, e Senador o sr. António Lino Neto.

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O Districto de Portalegre

Ano 35 - Domingo 28 de Abril de 1918 – N.º 2549 – pg.1

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Caldeira Rebollo escreve um texto intitulado «Eleitos», onde faz a apologia dos candidatos conservadores António Lino Neto, António Sardinha, José Pequito Rebelo e Mário Miranda Monteiro. Afirma:

- Dr. António Lino Neto. Novo ainda é já um economista de reputação feita e um dos professores mais respeitados do magistério da capital. Conhecido em todo o distrito, o seu carácter austero e as suas qualidades de indefeso trabalhador dão a todos os eleitores a garantia inabalável de que há-de honrar o seu talento no parlamento, assim como tem honrado o seu nome no magistério e no fôro.

- Dr. António Sardinha. Um moço cheio de talento e conduzido por sábia orientação, que já conquistou nas pátrias letras um lugar de destaque e no jornalismo de combate uma brilhante posição.

- Dr. José Pequito Rebelo. É também um novo já com justo renome, recentemente conquistado pela publicação de um livro de mérito sobre a Lavoura Nacional. A esse trabalho se referiram com justos elogios o abalizado economista sr. Anselmo de Andrade e D. Luiz de Castro, ilustre professor de agronomia.

- Dr. Mário Miranda Monteiro. Teve um lugar distinto no parlamento como representante do nosso distrito no antigo regime. É grande proprietário no concelho de Nisa e um advogado conhecido em todo o país. Orador fluente e talentoso, há-de continuar no congresso a honrosa tradição do seu carácter de rija têmpera.

Estes quatro nomes recomendam-se por si próprios ao sufrágio.

***

O Jornal

Semanário Republicano – (Órgão da União Republicana do Distrito de Portalegre

Ano I - Sábado 4 de Maio de 1918 - N.º 12 - pg.2

 

 

 

Resultados Eleitorais no Distrito de Portalegre

Presidente
Dr. Sidónio Paes – 12.838

Senadores

Governamentais:
Dr. Paes Rebelo – 10.535
Caetano Pereira – 9.478
Dr. Sebastião Sampaio – 9.092
Vicente Ramos – 8.920

Monárquico:
Dr. Mário Monteiro – 6.889

Deputados

Círculo 32 (Portalegre)

Governamentais:
Dr. Lino Neto – 5.639
Dr. Vasconcelos e Sá – 4.888

Monárquico:
Dr. Pequito Rebelo – 4.390

Círculo 33 (Elvas)

Governamental:
Dr. Santos Ciderais – 4.965
Sébes de Melo – 3.189

Monárquico:
Dr. António Sardinha – 2.522

Nota: Neste resultado não está incluída a 4.ª assembleia do concelho de Elvas (círculo 33) quanto a senadores.

Não tiramos as ilações com pequenos comentários, com receio que a censura nos corte os mapas e os comentários como aconteceu no nosso último número.

***

O Districto de Portalegre

Domingo 5 de Maio de 1918 – N.º 2550 – Ano 35 – pg. 2

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Resultado das eleições em todo o Distrito

Presidente – 12.838

Senadores
Cláudio rebelo 10.535
V. Ramos – 8.920
Caetano Pereira – 9. 478
Dr. Sebastião Sampaio – 9.092
Dr. Mário Monteiro – 6.889

Em todo o distrito, excepto a 4.ª assembleia de Elvas, cujo resultado quanto a senadores ainda desconhecemos.

Deputados

(Elvas)

Dr. Cideraes – 4.965
Sebes e Melo – 3.189
Dr. A. Sardinha – 2.522

(Portalegre)

Dr. Vasconcelos e Sá – 4.888
Dr. Lino Neto – 5.639
Dr. Pequito Rebelo – 4.390

(O jornal também traz as votações em Assumar, hoje freguesia do concelho de Monforte, com a particularidade dos nomes dos candidatos estarem completos. De notar a coincidência de números na votação de alguns dos candidatos. Assumar pertencia ao Círculo 33 de Elvas)

Dr. Cláudio Paes Rebelo – 245
Francisco Vicente Ramos – 245
Luís Caetano Pereira – 245
Dr. Sebastião Maria Sampaio – 244
Dr. Mário Augusto de Mirante Monteiro – 1

Deputados

Dr. António dos Santos Cideraes – 218
Alberto Sebes de Sá e Melo – 200
Dr. António Maria de Sousa Sardinha – 58

Correspondente

Votantes – 27.600

Votos – 18.400

Conservadores – 12. 838

Oposição – 5.562

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