Eleições
no Sidonismo
por Mário
Casa Nova Martins
As
eleições tiveram lugar a 28 de Abril de 1918. Com elas
inicia-se um segundo período na I República, a
denominada “República Nova”.
O
golpe de estado liderado por Sidónio Pais aconteceu a 5 de
Dezembro de 1917. Sidónio preside a uma Junta Revolucionária.
Para
legitimar o novo regime, é decretado a 11 de Março de
1918 o sufrágio universal, e são marcadas eleições
presidenciais e legislativas para o final do mês seguinte.
A
estas eleições apenas concorre Sidónio Pais ao
cargo de Presidência da República, enquanto os três
principais partidos da República, da “República
Velha”, não se apresentam a sufrágio, tendo surgido a
sufrágio um novo Partido, apoiado pela Junta, o Partido
Nacional Republicano.
Caracterizou-se
este curto ano que durou a “República Nova” pelo
restabelecimento das relações entre o Estado Português
e a Santa Sé, e pela melhoria da situação da
igreja portuguesa, através do decreto de 23 de Fevereiro que
alterava a lei de separação entre o Estado e a Igreja.
Também
a situação dos monárquicos sofre alteração,
que conquistam uma liberdade de acção e de pensamento
como não tinham desde o derrube da Monarquia.
É
com esta mudança de política, quer em relação
à igreja, quer em relação aos monárquicos,
que Sidónio Pais constrói a sua base de apoio.
Nos
dois círculos eleitorais do distrito de Portalegre, Elvas e
Portalegre, apresentam-se às eleições os
elementos do Partido Nacional Republicano e monárquicos.
Nestes dois grupos, estão nomes que mais tarde no Estado Novo
terão papel de relevo.
Mas
é no campo monárquico que se encontram dois nomes que
irão desenvolver posteriormente um trabalho doutrinário
que ainda hoje é referência, a corrente do Integralismo
Lusitano.
As
figuras de Pequito Rebelo e António Sardinha, jovens à
época, tinham na altura já um prestígio que os
levaram a concorrer ao acto eleitoral, liderando os monárquicos.
Não chegaram a ser eleitos, mas as votações que
obtiveram mostravam a força que então ainda tinha a
Monarquia no distrito.
Anexos
***
A
Plebe
Director
e Editor
José
Lúcio Gouveia (Barão de Gafete)
Presidente
da Comissão Distrital
Portalegre
– Domingo 21 de Abril de 1918 – Ano XXIII – N.º 1169 –
pg.3
Eleições
No
centro Democrático desta cidade realizou-se na passada
quarta-feira uma importante reunião política a que
compareceram os dedicados republicanos António da Graça
Ralo, como representante dos Evolucionistas, e Luiz de Sousa Gomes,
pela União Republicana.
Abriu
a sessão o cidadão Francisco de Brito, que se
congratulou pela presença de todos os republicanos, dando em
seguida a presidência da sessão ao cidadão Luiz
Gomes, que convidou para secretários os velhos republicanos
Manoel Geraldo Cassola, democrático, e António da Graça
ralo, evolucionista.
Sobre
a convocatória falaram os srs. Francisco de Brito, Manoel
Cassola, Luiz Gomes, Graça Ralo, José António
Costa e Júlio Fernandes, resolvendo-se iniciar hoje a campanha
explicativa das razões que levaram os três partidos
organizados da República à abstenção
eleitoral.
A
sessão, que após a sua abertura esteve suspensa por um
minuto, em sinal de sentimento pela morte do dedicado republicano
Vicente José Louro, terminou pela leitura de dois telegramas
enviados aos comandantes das nossas tropas em França e em
África, tendo durante ela vibrado o mais intenso amor à
República e erguendo-se entusiásticos vivas aos chefes
políticos e à União dos Republicanos, etc.
.
..
Consta
que o governo vai nomear por este círculo deputados os srs.
José Godinho Neves, Vasconcelos e Sá e José
Pequito Rebelo, e Senador o sr. António Lino Neto.
***
O
Districto de Portalegre
Ano
35 - Domingo 28 de Abril de 1918 – N.º 2549 – pg.1
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Caldeira
Rebollo escreve um texto intitulado «Eleitos», onde faz a
apologia dos candidatos conservadores António Lino Neto,
António Sardinha, José Pequito Rebelo e Mário
Miranda Monteiro. Afirma:
- Dr. António Lino Neto. Novo ainda é já um
economista de reputação feita e um dos professores mais
respeitados do magistério da capital. Conhecido em todo o
distrito, o seu carácter austero e as suas qualidades de
indefeso trabalhador dão a todos os eleitores a garantia
inabalável de que há-de honrar o seu talento no
parlamento, assim como tem honrado o seu nome no magistério e
no fôro.
- Dr. António Sardinha. Um moço cheio de talento e
conduzido por sábia orientação, que já
conquistou nas pátrias letras um lugar de destaque e no
jornalismo de combate uma brilhante posição.
- Dr. José Pequito Rebelo. É também um novo já
com justo renome, recentemente conquistado pela publicação
de um livro de mérito sobre a Lavoura Nacional. A esse
trabalho se referiram com justos elogios o abalizado economista sr.
Anselmo de Andrade e D. Luiz de Castro, ilustre professor de
agronomia.
- Dr. Mário Miranda Monteiro. Teve um lugar distinto no
parlamento como representante do nosso distrito no antigo regime. É
grande proprietário no concelho de Nisa e um advogado
conhecido em todo o país. Orador fluente e talentoso, há-de
continuar no congresso a honrosa tradição do seu
carácter de rija têmpera.
Estes
quatro nomes recomendam-se por si próprios ao sufrágio.
***
O
Jornal
Semanário
Republicano – (Órgão da União Republicana do
Distrito de Portalegre
Ano
I - Sábado 4 de Maio de 1918 - N.º 12 - pg.2
Resultados
Eleitorais no Distrito de Portalegre
Presidente
Dr.
Sidónio Paes – 12.838
Senadores
Governamentais:
Dr.
Paes Rebelo – 10.535
Caetano
Pereira – 9.478
Dr.
Sebastião Sampaio – 9.092
Vicente
Ramos – 8.920
Monárquico:
Dr.
Mário Monteiro – 6.889
Deputados
Círculo
32 (Portalegre)
Governamentais:
Dr.
Lino Neto – 5.639
Dr.
Vasconcelos e Sá – 4.888
Monárquico:
Dr.
Pequito Rebelo – 4.390
Círculo
33 (Elvas)
Governamental:
Dr.
Santos Ciderais – 4.965
Sébes
de Melo – 3.189
Monárquico:
Dr.
António Sardinha – 2.522
Nota: Neste resultado não está incluída a 4.ª
assembleia do concelho de Elvas (círculo 33) quanto a
senadores.
Não
tiramos as ilações com pequenos comentários, com
receio que a censura nos corte os mapas e os comentários como
aconteceu no nosso último número.
***
O
Districto de Portalegre
Domingo
5 de Maio de 1918 – N.º 2550 – Ano 35 – pg. 2
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Resultado
das eleições em todo o Distrito
Presidente – 12.838
Senadores
Cláudio
rebelo 10.535
V.
Ramos – 8.920
Caetano
Pereira – 9. 478
Dr.
Sebastião Sampaio – 9.092
Dr.
Mário Monteiro – 6.889
Em
todo o distrito, excepto a 4.ª assembleia de Elvas, cujo
resultado quanto a senadores ainda desconhecemos.
Deputados
(Elvas)
Dr.
Cideraes – 4.965
Sebes
e Melo – 3.189
Dr.
A. Sardinha – 2.522
(Portalegre)
Dr.
Vasconcelos e Sá – 4.888
Dr.
Lino Neto – 5.639
Dr.
Pequito Rebelo – 4.390
(O
jornal também traz as votações em Assumar, hoje
freguesia do concelho de Monforte, com a particularidade dos nomes
dos candidatos estarem completos. De notar a coincidência de
números na votação de alguns dos candidatos.
Assumar pertencia ao Círculo 33 de Elvas)
Dr.
Cláudio Paes Rebelo – 245
Francisco
Vicente Ramos – 245
Luís
Caetano Pereira – 245
Dr.
Sebastião Maria Sampaio – 244
Dr.
Mário Augusto de Mirante Monteiro – 1
Deputados
Dr.
António dos Santos Cideraes – 218
Alberto
Sebes de Sá e Melo – 200
Dr.
António Maria de Sousa Sardinha – 58
Correspondente
Votantes
– 27.600
Votos
– 18.400
Conservadores
– 12. 838
Oposição
– 5.562
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