Concurso
“Os Grandes Portugueses”
O
Povo não é estúpido!
por Abel
Matos Santos*
O
concurso televisivo “Os Grandes Portugueses”, que terminou no
passado dia 25 de Março, tornou-se num claro embaraço
para a televisão pública e para aqueles que esperavam e
tudo fizeram para que o vencedor fosse outro e a humilhação
caísse sobre Salazar.
Afinal,
o humilhado foi outro, e, Oliveira Salazar obteve 41% da votação
livre e democrática, fruto da auditoria da Price Waterhouse &
Coopers, apesar das descaradas tentativas de manipulação
da opinião pública, que de acordo com o semanário
“Sol” até levaram a RTP e a produtora do concurso “a
contactar algumas autarquias, para promover candidatos bem menos
polémicos, como são os casos de D. Afonso Henriques e
do Infante D. Henrique”.
Depois
foi ver a grande maioria dos defensores dos 10 candidatos escolhidos
e a concurso para a vitória final, a não defenderem o
seu candidato, mas antes a atacarem o candidato de Jaime Nogueira
Pinto (António Oliveira Salazar), em sintonia mais do que
evidente, com a ajudinha de Maria Elisa, que deu um péssimo
exemplo de isenção jornalística.
Mais
espectacular ainda, foi ver a deputada Odete Santos a soltar o seu
ódio, com esgares lancinantes sobre tudo e todos, chegando
mesmo ao ponto de no final ameaçar a própria Maria Elisa
com a constituição portuguesa, acusando-a de promover o
fascismo, quando a apresentadora divulgou o justo vencedor do
concurso. Que bonito espectáculo! Sim, concurso! Será
que os pseudo arautos da defesa das liberdades e dos direitos não
perceberam que se tratava de um concurso, para o qual as regras foram
definidas ao princípio? Ou será que os deveres de
cumprir as regras e de saber perder, pois foi disso que se tratou,
não se aplicam a estas “personalidades”.
Como
se não bastasse, o apelo directo e indirecto, sem qualquer
tipo de pudor, ao voto útil, feito por João Soares,
Odete Santos e Leonor Pinhão, visivelmente apoplécticas
e descontroladas, deixaram bem claro o respeito que mostram ter pela
vontade popular, quando esta não vai de encontro aos seus
ideais.
Restaram
Nogueira Pinto e Rosado Fernandes, que enquadraram a vitória
no contexto certo. Um no de “um concurso” e o outro no de
um “protesto contra os governos pós 25 de Abril que
frustraram as expectativas dos portugueses. Ninguém gosta da
situação que temos, a corrupção, a falta
de governação, os campos abandonados, tudo o que tem
sido feito ”.
Até
Fernando Dacosta, fez um acto de contrição, ao afirmar
que “foi um voto contra o falhanço daqueles que se
opuseram a Salazar, como eu, e que prometeram aos portugueses um país
mais livre, mais próspero, mais feliz, mais seguro e esse país
não se cumpriu”.
Enfim,
a tentativa clara e “guerrilheira” de tentar a todo o custo que o
resultado fosse outro, levando até à divulgação
de uma sondagem patética, com cerca de mil entrevistados ao
telefone, antes da revelação do resultado final, a
sugerir a preferência pelos candidatos menos votados no
concurso real.
No
concurso participaram cerca de 215 mil votantes. Será que é
possível comparar? Tudo serviu para tentar branquear uma
vitória clara de Salazar por mais do dobro para o segundo
classificado, Álvaro Cunhal com 19%.
Para
finalizar, as “pérolas da intelectualidade”, saídas
das bocas de Leonor Pinhão, afirmando que “o Portugal
depois de Salazar é muito melhor do que antes. Após o
25 de Abril houve um falhanço na educação, este
resultado revela a falta de educação do povo
português”. Que contradição, estaria
confusa?
Segundo
Ana Gomes é “gente que não está bem na sua
pele”, e para rematar Clara Ferreira Alves
afirmando que “as boas intenções abstêm-se e
as más intenções mobilizam-se”. Afinal
para estas senhoras, o povo é estúpido! Como não
vingou a sua preferência, passaram a considerar a vasta maioria
dos votantes no concurso, de ignorantes, sem cultura e mal
intencionados.
Assim
se estala o verniz e se revelam as suas opiniões e a elas
próprias.
Cá
por mim, gostando-se ou não de Salazar, ou de outro candidato
qualquer, acima de tudo os portugueses exerceram em consciência
a sua livre opinião, com meses para reflectir, e isso deve ser
respeitado.
Quanto
às “sumidades da inteligência” presentes no
concurso, procurem repensar a vossa conduta e respeitem as opiniões
diferentes das vossas, pois é disso que se trata em
democracia, e, por favor, não nos chamem estúpidos! |