Ano I - Nº 7, Março/Abril de 2007
Alameda Digital
Europeísmos
Concurso “Os Grandes Portugueses”

O Povo não é estúpido!

por Abel Matos Santos*

O concurso televisivo “Os Grandes Portugueses”, que terminou no passado dia 25 de Março, tornou-se num claro embaraço para a televisão pública e para aqueles que esperavam e tudo fizeram para que o vencedor fosse outro e a humilhação caísse sobre Salazar.

Afinal, o humilhado foi outro, e, Oliveira Salazar obteve 41% da votação livre e democrática, fruto da auditoria da Price Waterhouse & Coopers, apesar das descaradas tentativas de manipulação da opinião pública, que de acordo com o semanário “Sol” até levaram a RTP e a produtora do concurso “a contactar algumas autarquias, para promover candidatos bem menos polémicos, como são os casos de D. Afonso Henriques e do Infante D. Henrique”.

Depois foi ver a grande maioria dos defensores dos 10 candidatos escolhidos e a concurso para a vitória final, a não defenderem o seu candidato, mas antes a atacarem o candidato de Jaime Nogueira Pinto (António Oliveira Salazar), em sintonia mais do que evidente, com a ajudinha de Maria Elisa, que deu um péssimo exemplo de isenção jornalística.

Mais espectacular ainda, foi ver a deputada Odete Santos a soltar o seu ódio, com esgares lancinantes sobre tudo e todos, chegando mesmo ao ponto de no final ameaçar a própria Maria Elisa com a constituição portuguesa, acusando-a de promover o fascismo, quando a apresentadora divulgou o justo vencedor do concurso. Que bonito espectáculo! Sim, concurso! Será que os pseudo arautos da defesa das liberdades e dos direitos não perceberam que se tratava de um concurso, para o qual as regras foram definidas ao princípio? Ou será que os deveres de cumprir as regras e de saber perder, pois foi disso que se tratou, não se aplicam a estas “personalidades”.

Como se não bastasse, o apelo directo e indirecto, sem qualquer tipo de pudor, ao voto útil, feito por João Soares, Odete Santos e Leonor Pinhão, visivelmente apoplécticas e descontroladas, deixaram bem claro o respeito que mostram ter pela vontade popular, quando esta não vai de encontro aos seus ideais.

Restaram Nogueira Pinto e Rosado Fernandes, que enquadraram a vitória no contexto certo. Um no de “um concurso” e o outro no de um “protesto contra os governos pós 25 de Abril que frustraram as expectativas dos portugueses. Ninguém gosta da situação que temos, a corrupção, a falta de governação, os campos abandonados, tudo o que tem sido feito ”.

Até Fernando Dacosta, fez um acto de contrição, ao afirmar que “foi um voto contra o falhanço daqueles que se opuseram a Salazar, como eu, e que prometeram aos portugueses um país mais livre, mais próspero, mais feliz, mais seguro e esse país não se cumpriu”.

Enfim, a tentativa clara e “guerrilheira” de tentar a todo o custo que o resultado fosse outro, levando até à divulgação de uma sondagem patética, com cerca de mil entrevistados ao telefone, antes da revelação do resultado final, a sugerir a preferência pelos candidatos menos votados no concurso real.

No concurso participaram cerca de 215 mil votantes. Será que é possível comparar? Tudo serviu para tentar branquear uma vitória clara de Salazar por mais do dobro para o segundo classificado, Álvaro Cunhal com 19%.

Para finalizar, as “pérolas da intelectualidade”, saídas das bocas de Leonor Pinhão, afirmando que “o Portugal depois de Salazar é muito melhor do que antes. Após o 25 de Abril houve um falhanço na educação, este resultado revela a falta de educação do povo português”. Que contradição, estaria confusa?

Segundo Ana Gomes é “gente que não está bem na sua pele”, e para rematar Clara Ferreira Alves afirmando que “as boas intenções abstêm-se e as más intenções mobilizam-se”. Afinal para estas senhoras, o povo é estúpido! Como não vingou a sua preferência, passaram a considerar a vasta maioria dos votantes no concurso, de ignorantes, sem cultura e mal intencionados.

Assim se estala o verniz e se revelam as suas opiniões e a elas próprias.

Cá por mim, gostando-se ou não de Salazar, ou de outro candidato qualquer, acima de tudo os portugueses exerceram em consciência a sua livre opinião, com meses para reflectir, e isso deve ser respeitado.

Quanto às “sumidades da inteligência” presentes no concurso, procurem repensar a vossa conduta e respeitem as opiniões diferentes das vossas, pois é disso que se trata em democracia, e, por favor, não nos chamem estúpidos!

 
Resultados finais da votação do concurso da RTP
António Oliveira Salazar 41,0%
Álvaro Cunhal 19,1%
Aristides Sousa Mendes 13,0%
D. Afonso Henriques 12,4%
Luís de Camões 4,0%
D. João II 3,0%
Infante D. Henrique 2,7%
Fernando Pessoa 2,4%
Marquês de Pombal 1,7%
10º Vasco da Gama 0,7%

 

* Director de "O Jornal de Coruche"

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