Sobre
Direitas, Esquerdas e a emergência de um Critério
por Jorge Azevedo
Correia
Introdução
Quando se procuram
elementos para a distinção de Direitas e Esquerdas
surgem inevitavelmente questões de perspectiva que representam
uma apreensão e intervenção sobre os fenómenos
analisados. Como em tudo, é inevitável que as ideias e
conceitos que descrevem a realidade condicionem essa percepção.
Na política moderna tal é sentido com maior
intensidade. Intensidade que parece subverter a subversão das
grelhas analíticas aos altares da finalidade e de projectos
políticos predeterminados.
A compreensão de
uma distinção como esta, que tem tanto de senso comum e
utilização corrente, cria vários problemas
interpretativos, exacerbados pela existência de pressões
políticas para a obtenção de definições
e conceitos que satisfaçam determinados planos de acção.
A possibilidade de acordo torna-se quase impossível, uma vez
que os critérios se encontram profundamente limitados pelas
visões da política de cada um. Na compreensão
dos fenómenos políticos uma grelha conceptual é,
não apenas uma forma de apreensão da realidade, mas
também um elemento de acção. Onde um observador
não possua no seu entendimento a necessidade de um nexo de
causalidade entre os eventos, p.ex,, não poderá
compreender qualquer estrutura de eventos. Da mesma forma, quem não
possuir uma razoável abertura ao carácter primordial da
Verdade, não poderá compreender o seu papel
determinante na ordem das coisas. Qualquer espectro analítico
que reduza o papel desse elemento fundamental a uma “arma do
capital” ou a um método de perpetuação de
“hegemonias” passará ao lado dos significados desta
reflexão.
Se é hábito
distinguir-se como momento fundador da dicotomia a Revolução
Francesa, esta sintetiza e dá uma terminologia simples, a uma
realidade muito anterior, fundada na relação entre a
política feita pelas “massas” e uma defesa da decisão
política como elemento restrito. A distinção
política entre os “muitos” e os “poucos” é
muito mais do que a oposição entre duas formas de fazer
política ou preferência de um regime por outro, mas uma
verdadeira distinção entre duas concepções
essenciais da Civilização.
A Emergência dos
“Valores Humanos”
Como descreve
Aristóteles no Livro IV da Política, existia já
no seu tempo uma força social determinada em proclamar a não
existência de regras transcendentes no governo da cidade. A Polis, segundo estes, pertenceria aos cidadãos que
unidos pelo vínculo da Liberdade seriam possuidores da norma
política, podendo a sua vontade determinar, sem mais, os
destinos da cidade. Ao cidadão-livre nenhuma acção
em que este não participasse na decisão política
poderia ser exigida. Esta concepção da política,
convencionalista, livre e desligada de qualquer normatividade que não
se encontre na vontade dos proprietários da comunidade, a que
Aristóteles chamou “democrática”, não se
afasta grandemente dos princípios daquilo a que se
convencionou chamar de Modernidade. A própria emergência
do socialismo foi prevista por Aristóteles como consequência
da concepção democrática da sociedade. Sem um
limite constitucional a propriedade de uma parcela da sociedade
estaria sempre à mercê dos desejos da turba. Como bem
notou Eric Voegelin, a Modernidade é muito antiga...
Na Civilização
Cristã estes pressupostos constituiram-se sempre como
propostas marginais e alternativas, mas revestidas de uma
sofisticação metafísica que se espalhou como Boa
Nova paralela. A sequência de heresias religiosas da Reforma
trilhou esse mesmo caminho através do estabelecimento de uma
metafísica anti-tradicional que eliminou as barreiras entre
Este e o Outro Mundo. Quer pelo Panteísmo, que Espinoza viria
a consagrar filosoficamente, quer pela crença na
incompreensibilidade de Deus originada na “gnose” cátara e
que se prolongaria filosoficamente em Guilherme de Ockham, nos
movimentos milenaristas que grassaram um pouco por toda a Europa e na
afirmação de um humanismo secular, pretensamente
racional, desprovido de uma relação com qualquer
elemento exterior ao homem, o Homem ficou livre para se determinar
único critério e medida de todas as coisas.
Uma Estratégia
Religiosa
A impossibilidade da
compreensão do domínio Divino, segundo os pressupostos
“reformistas” gerou uma inversão curiosa. O surgimento
desta forma de Neo-Paganismo obedece a uma estratégia de
inversão da religião, onde o transcendente é
apenas um reflexo dos desejos e anseios dos indivíduos. Esse
nascimento da Ideologia é uma tentativa de cristalizar uma
teoria perene que corresponde à justificação
racional para os desejos desordenados realizada pela antiga
sofística. Para os Sofistas o mais elevado horizonte da
racionalidade é a sua orientação para a obtenção
dos desejos individuais. A vitória desta concepção
em que a própria noção da transcendência é
determinada pelos desejos individuais representa um recuo da
Filosofia e a emergência de uma concepção
religiosa invertida. Ao contrário do Paganismo Antigo que
partia do nosso mundo para a compreensão da transcendência,
ou não tivessem sido primeiramente os filósofos a
compreender uma divindade única e meta-histórica, o que
se verifica é a entronização religiosa de
elementos do nosso Mundo. Urgia a criação de um novo
mundo que pudesse justificar a emergência do “Homem Novo”.
A criação
da concepção do que está para além do
Homem como mero prolongamento dos seus anseios anteriores corresponde
a este anseio ideológico. Semelhante diagnóstico foi
tomado por Dostoyevski, quando colocou o problema do Socialismo a
propósito do anseio pelo transcendente e pela santidade de
Aliocha Karamazov:
“... o socialismo
não é apenas a questão laboral. É, antes
de tudo, a questão do ateísmo, a questão da
forma tomada pelo ateísmo até hoje, a questão da
Torre de Babel construída expressamente sem Deus, não
para ascender da Terra ao Céu, mas para descer o Céu à
Terra”.
Ao considerar que a
primazia dos valores humanos, o Homem cria a ilusão de que
toda a realidade se encontra sob o seu desígnio, como se fosse
o seu próprio criador. O nascimento da Utopia decorre dessa
tentação, dessa ideia de divinização do
Homem, da elminação de fontes exteriores para a
compreensão do lugar do homem no Universo, que macula
definitivamente o outro mundo ao trazê-lo para a imperfeição
do mundo que vivemos.
A criação
de uma Natureza Humana intrinsecamente boa corresponde à
consagração dessa mesma pretensão. A
substituição da concepção clássica
da realização da Natureza Humana através da
Civilização e da Cultura e dos valores nelas
sedimentados, por uma crença na benevolência originária
do Homem, celebrizada por Rousseau. Esta concepção
restaura a ideia anteriormente analisada de que o que a norma da
acção humana está dentro dos indivíduos e
que do encontro destas, da libertação das normas e da
cultura, virá a construção da sociedade
perfeita. O Anarquismo, o Socialismo Utópico e algumas
concepções ideológicas do Liberalismo, possuem
esta mesma concepção de que são as normas e as
culturas o factor que impede a realização do Bem, ao
impedir a libertação dessa primordialidade humana.
As Respostas e a
Emergência do Mito
A Esquerda, como vimos
anteriormente, pretende o domínio do Presente através
do Paraíso Futuro, do materialismo progressista e do idealismo
irrealista. Surgiram, porém, um conjunto de respostas à
Utopia com o intuito de combater a emergência das ideias que se
mobilizam contra a ortodoxia. Essas formas apresentaram, contudo, um
conjunto de fixações inspiradas em elementos da
realidade, mas que rapidamente tomaram o seu lugar. À profusão
de ideologias de esquerda, a resposta surgiu na mesma moeda. As
ideologias tentaram colocar nos pedestais vazios de Deus, elementos
mundanos e supostamente factuais que permitissem a construção
de ordens políticas incontestáveis, de obediências
estáveis e independentes dos propósitos da governação.
A divinização
dos direitos do indivíduos, instituída pelo
contracualismo hobbesiano, que se prolonga por toda a tradição
liberal, a manutenção da sociedade que temos como única
realidade possível ou a ideia de que o Poder se justifica por
si próprio, não são senão manifestações
de desejos de que a realidade se possa encapsular numa fórmula
que provenha das necessidades e desejos humanos. Dessa forma, tanto o
Liberalismo ideológico, todo aquele que não pode ser
incluído noutra tradição intelectual, e as suas
proposições contractualistas e individualistas, como o
Fascismo e a apologia do carácter absoluto do Poder, como a
ditadura do “status quo” e do “melhor dos mundos possível”
do Conservadorismo, são compreensões do mundo que
tentam contrariar a desordem moderna e erguer um edifício
político sobre novos pressupostos.
Estas concepções
correspondem a uma definição antinómica da
Direita, a postulada por Prezzolini como “conjunto das direitas,
das que recordámos e das que esquecemos”. Se a definição
é bastante lata e quase circular, é também
precisa na sua aproximação ao uso corrente e ao vácuo
descritivo que, muitas vezes, a dicotomia apresenta. Ao descrever o
fenómeno como acção/oposição,
percebe-se a dimensão das Direitas como elas se encontram, mas
perde-se a capacidade analítica de percepção de
que, em muitos fenómenos políticos, a oposição
não é verdadeira, mas circunstancial e de acção,
como se observará posteriormente.
O Eterno Retorno
A substituição
da Utopia por ideias funcionais é uma parte importante da
oposição à construção da religião
Humana, mas comporta em si ideias que não representam uma
verdadeira contraposição, apenas uma acomodação
ao que supostamente combateriam. A construção
ideológica que pretende a obtenção de bens que
não são justificados externamente, regressa ao legado
de Maquiavel onde se postula que a acção humana é
mais importante que as finalidades da acção, como se
caminhar fosse mais importante que o destino, encontrando-se desta
forma o Homem condenado a vaguear sem destino neste mundo.
Ao substituir o Bem por
elementos menores e arbitrários, sem autoridade ou força
que não provenha de necessidades humanas, a ideologia
“ultra-realista” incorre no mesmo erro que a ideologia utópica.
O desprezo pelo que existe além do ponto de partida, do desejo
axiomático e apriorístico, é apenas outra forma
de corte com a realidade. Da mesma forma que o carácter
ideológico do marxismo predeterminava a forma como a realidade
era observada – como todos eventos eram expressão das
relações de materialidade e de preservação
dos interesses do Capital, toda a acção que era
inspirada por benevolência não poderia existir –
também os seus equivalentes laterais da Direita procederam a
ignorar a totalidade da realidade. Para os liberais tudo o que não
tem origem na vontade contractual é espúrio, para um
fascista tudo o que não pertence à realidade Estatal e
ao Poder é ficção, para um conservador,
desprovido de uma grelha moral de bens perenes, tudo o que
corresponde a mudar é uma perigosa irrealidade.
Estas respostas ao
Esquerdismo comportam um problema genético. Quando tomam um
elemento como arbitrário, como passo verdadeiro para a
fundação da comunidade ou sociedade política,
divinizam-no, não conseguindo escapar da “maldição”
de que toda a política tem limites e justificações.
Substituir Deus por Direitos, pela Comunidade ou pelo Presente,
implica sempre colocar de lado a realidade e inevitavelmente ser
surpreendido por ela. Ao construir-se uma sociedade a partir de uma
predeterminada concepção mundana, impede-se a
existência de um critério com força normativa que
exista para lá da articulação e da convenção.
Ao passar os elementos do nosso Mundo a medida de todas realidades
políticas, emerge a incapacidade de estabelecer o horizonte do
que é a Justiça, encontrando-se toda a realidade
política num estado suspensivo de guerra, onde a obediência
não provém de ideias ou do cumprimento de finalidades
humanas, mas de “factos” imputados por terceiros, desligados das
necessidades e de qualquer relação de justiça
com governados.
Neste ponto Esquerdas e
Direitas quase se fundem, distinguindo-se apenas pela forma como
lidam com a realidade, partindo as Direitas de um parte da realidade
para a ordenação política e partindo as
Esquerdas de uma expectativa transcendente para a realização
utópica desta no domínio político. Qualquer dos
segmentos pertencendo a essa grande “Revolta Egofânica”
que, como Voegelin nota na sua obra “Order and History”, pretende
colocar o “Eu” como elemento transcendente e estruturante do
Mundo, reduzindo o Universo a expressões do “Eu”. Tanto a
estratégia de cima para baixo, a religiosidade auto-induzida
da Esquerda, ou a transcendentalização dos elementos
perenes, realizada pelo anseio “realista” da Direita, acabam por
reduzir o Homem a uma situação de incondicionalidade
que é oposta a qualquer espírito de Liberdade bem
entendida.
Este ponto está
intimamente ligado a um pessimismo antropológico que é
habitualmente atribuído às concepções
políticas da Direita. Parece certo afirmar que as Direitas
Modernas incluíram esta concepção no seu acervo,
tendo, contudo, exacerbado esta posição, colocando nas
comunidades humanas uma incapacidade de compreensão da norma
externa. Recorrendo à conceptualização de Olavo
de Carvalho em “Direita e Esquerda, origem e fim” parece bastante
óbvio que a concepção opositiva entre Direitas e
Esquerdas se baseia numa concepção de tempo: as
Direitas numa concepção de vivência do passado no
presente, as Esquerdas de vivência do futuro no presente. O
pessimismo antropológico da Direita parece conduzir a
humanidade a uma desumanizadora prisão do passado no presente,
a incapacidade de libertação do mundo como este se
apresenta.
As Tipologias
Superficiais
Tentativas
superficiais, como a de Bobbio no seu “Destra e Sinistra”, de
condensar matérias complexas como as ideias políticas
com recurso a valores de superfície, que muitas vezes se
esgotam nas palavras em que são articuladas, representam bem a
forma como a problemática é, simultaneamente, método
analítico e recurso com vista à acção,
imbuido de um conjunto de significados que determinam o objecto.
Colar à problemática da Igualdade e Liberdade posições
de ambos os espectros é uma simplificação
perigosa, porque realiza uma aceitação dos significados
das palavras que molda a realidade. Ou o termo fica circunscrito a
uma realidade particular ou um determinado espaço e tempo, ou
a análise definha na sua adequação à
evolução da problemática.
Afirmar que a Esquerda
luta pela Igualdade é uma tentativa de observar o problema com
base em manifestações de fenómenos que são
muito mais profundos que isso. Um olhar rápido à URSS
demonstra que existe muito maior diferença entre o camponês
e o membro do Politburo, do que entre este último e o camponês
com acesso à “internet” e aos valores urbanos dos nossos
dias. Nem sequer se pode dizer que tal discrepância se deva à
questão da aplicação prática dos valores,
uma vez que o sonho de Marx (que em muito se mistura com a utopia
anarquista), permitiria que todos, uma vez garantida a subsistência
material dos cidadãos, levassem a vida que desejassem... Essa
liberdade era parte integrante da religião materialista de
Marx.
O caminho sonâmbulo
das fábricas e dos campos fazia-se a sonhar com o paraíso
que, por força da ordem natural das coisas, estava
impossibilitado de chegar.
As Liberdades que, da
mesma forma, seriam apostas à Direita eram também
conceptualmente ilusórias. A indistinção entre
as liberdades civis, liberdades económicas e liberdades
democráticas, criaria uma ilusão da existência de
uma unidade que não é real. Afirmar-se que num sistema
arbitrário como o III Reich haveria mais liberdade que na
União Soviética é um cálculo que só
é possível através de uma perspectiva bastante
amputada do conceito. E a ideia de que a inviolabilidade do Direito
de Propriedade que constitui o paradigma do liberalismo é o
traço marcante da distinção, gera ainda mais
problemas do que respostas, tornando incompreensível a posição
da Igreja Católica e da sua Doutrina Social, que encontra
severos limites ao direito de propriedade e que enquadra a liberdade
como a aceitação da Norma que permite o Bem.
A Restauração
do Critério
Neste conjunto de
definições arbitrárias o problema das Direitas e
Esquerdas surge como insolúvel, ligado a políticas e
não às verdadeiras fontes do Político. Dentro da
Justiça encontram-se demasiadas concepções para
que as tomemos como “bloco monolítico”. Interessa
regressar ao significado das palavras, compreendendo o que cada uma
das perspectivas condensa no conceito.
Da Direita existe a
necessidade de reter uma construção de Ordem oposta às
propostas teológico-políticas das Esquerdas. A Esquerda
ergueu uma construção teológica a partir dos
seus sonhos de um Mundo e de um Homem perfeito, proclamando-se ungida
pelo sonho na condução do Paraíso Terrestre. Daí
à submissão total da Política ao desejo dos
ungidos pela “nova religião”, no fenómeno a que
chamos “sectarismo”, vai o passo da criação de uma
norma política que não se funda na ideia de partilha de
valores, mas na submissão cega a um sonho de realização
a uma norma perfeita que foi induzida pelo Homem e não
apercebida pela ordem das coisas.
Essa Direita
mostrou-se, contudo, vezeira em caír no polo oposto. A sua
apologia do “real” acabou por submergir a Humanidade no oposto da
transcendência, numa realidade amputada do carácter
metafísico que a revestiu no momento em que a Liberdade e a
Justiça foram pensados não como produtos humanos, mas
como consequências da Estrutura do Ser, da Natureza das Coisas
que abarca a existência humana. Fenómenos como o
Historicismo, o Cientismo, o Niilismo, são apenas tentativas
de reduzir a existência humana à certeza do jogo viciado
da “intramundanidade”. Ao determinar-se que a justiça
consiste é obedecer ao superior hierárquico, que o
justo é manter as coisas como estão, ou maximizar a
liberdade contractual, determina-se um ponto em que a obediência
não se encontra num ponto externo, recaíndo-se na
dependência dos princípios do factor humano,
impedindo-se a emergência do horizonte do “dever ser”.
A impossibilidade de se
encontrar uma norma que não se funde na vontade humana ou numa
visão arbitrária e parcelar do que corresponde à
Natureza Humana, gera a impossibilidade estrutural de uma concepção
comum, ou partilhada, de Justiça. Percorre-se, desta forma, os
caminhos anteriormente trilhados pela sofística, onde o justo,
por se identificar com a vontade individual, é a própria
capacidade de moldar o mundo aos desejos próprios. E se
observarmos o pensamento “pós-moderno” do estado da
Esquerda que temos, verificamos essa mesma obsessão com a
criação de uma mitologia que ganha cariz religioso,
apesar dos próprios autores reconhecerem que não se
trata de algo exterior aos seus “desejos de poder”.
Onde não existe
um elemento externo e entrecruzador de experiências e
narrativas, onde não existe uma ordem para proceder à
selecção da verdade desses elementos experienciais, não
poderá existir nenhum pensamento para além do
convencional. A justiça será apenas a forma como os
homens agem no mundo, independente de intenções, ou de
quaisquer razões, indistinguindo-se da Força. A Razão
não seria mais do que uma Verdade Privada, outro dos nomes da
Loucura.
A Direita tem aqui um
papel único, pela forma como defende a necessidade de um
critério. Só olhando para o existente e para o conjunto
dos existentes que forma o Passado é possível
vislumbrar os elementos que constituem o Eterno. O homem constituído
por um legado civilizacional, oposto ao Homem Novo que se reinventa a
cada vez que é assaltado por um qualquer desejo, é um
caminho que só pela Direita pode ser trilhado. Se na Direita
os caminhos são muitos, é fundamental reencontrar os
elementos que permitem que a Cultura e os elementos civilizacionais
não se fechem sobre si próprios, relembrando que o seu
grande traço distintivo é a auto-capacidade analítica,
consagrado na aversão à morte de Sócrates e só
possíveis pela existência de elementos externos à
realidade humana. É só o primeiro passo, mas é o
passo sem o qual nada há. |