Ano I - Nº 8, Maio/Junho de 2007
Alameda Digital
A Direita e as Direitas
90 anos depois…

por Rui Corrêa d'Oliveira

90 anos depois vale a pena darmo-nos conta de como foi simples, sem deixar de ser grande, o que aconteceu em Fátima.

O Céu irrompeu no meio do que de mais normal acontecia no dia-a-dia daquelas três crianças de Aljustrel. Não esperou momentos altos, nem solenes; não os retirou do buliço dos seus trabalhos; não esperou que eles tivessem especial instrução. Pura e simplesmente apareceu, revelou-Se, fez-Se presença… palpável, audível, reconhecível! E eles viram, e ouviram e… acreditaram!

Foi assim há dois mil anos, na Palestina. Foi assim há noventa anos, na Serra d’Aire. É assim, ainda hoje, nas nossas vidas.

Claro que não nos é dado ver o Anjo ou Nossa Senhora, menos ainda o próprio Deus. Mas que Ele está, está. E que Ele nos fala, fala. E ajuda, e convida, e desafia, e invade a nossa vida, e muda-nos os planos, e protege-nos de perigos, e faz-nos companhia na dor e sofrimento…

E escuta os nossos pedidos, e abraça a nossa cruz, e mostra-nos o caminho, e ilumina o nosso pensamento…

E pede-nos ajuda para Se revelar aos que nos rodeiam, reclama a nossa voz e os nossos gestos… e mendiga o nosso coração!

E tudo isto faz e tudo isto acontece, na concreta circunstância da nossa vida, seja ela como for. Não pergunta pelas nossas competências, nem pede para interromper o decurso dos nossos dias. É lá, mesmo, que Ele Se revela. Basta estarmos atentos e disponíveis… como os três Pastorinhos de Fátima há noventa anos.

E tudo se passa no inteiro respeito pela nossa liberdade, aceitando mesmo que Lhe digamos não. Mas Deus não desiste nunca. Não se cansa nunca. Não se escandaliza nunca com o nosso pecado, sempre pronto a perdoar. A sua estratégia é o Amor… persistente e paciente.

A história de ternura e desvelo pelo homem, acontecida há noventa anos em Fátima, não é a história toda, mas um capítulo apenas. Decisivo, extraordinário, excepcional, é certo, mas não mais que um capítulo de uma história de “paixão pelo homem” começada com os nossos primeiros pais e que, sabemo-lo bem, não acabará mais, prolongando-se eternidade adentro.

Em boa verdade, é disto que trata a Mensagem de Fátima: converter o coração dos homens para que vivam a vida como gente salva, gente redimida, gente para a eternidade… Lembrar Fátima, noventa anos depois, é tomar consciência de que Deus permanece hoje, ainda e sempre, atento a cada um de nós, para fazer grande e definitivo cada instante da nossa vida.

   
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