Ano II - Nº 9, Setembro/Outubro de 2007
Alameda Digital
Ideologias
Carlos Eduardo de Soveral

«Carlos Eduardo Bastos de Soveral (Lisboa, 4-11-1920/7-08-2007).

Nomes literários: Carlos Eduardo de Soveral, Eduardo Bastos, Jaume Lloset (pseudónimo), Dório Castro (idem.)

Muito intensa e plural actividade gimnodesportiva e paramilitar até depois dos 40 anos, com alguns resultados de primeiro plano. Várias prestações de serviço militar (Lisboa e Torres Novas, Castelo Branco e Elvas), como Oficial Miliciano de Cavalaria. Professor do 4.º Grupo (História, Filosofia e Organização Política) do Quadro Comum dos Liceus do Ultramar (Sá da Bandeira, Angola — onde leccionou Psicopedologia, cadeira por si criada, num Curso de Aperfeiçoamento do professorado primário). Regressado à Europa por graves motivos de saúde, e após algumas missões que lhe foram cometidas pelos Ministérios da Educação e do Ultramar, Leitor de Português, sucessivamente, nas Universidades de Salamanca, Barcelona e Santiago de Compostela, com a direcção, nesta última, do Instituto de Estudos Portugueses. (Em Santiago de Compostela foi, com os Professores Carlos Paris Amador e Carlos Alonso del Real, o organizador de três assaz importantes ciclos de conferências, sobre O pensamento marxista, sobre A Historiologia e sobre Descrença e homem actual.) Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Florença, para o estudo da historiografia toscana dos séculos XIII e XIV. Subsecretário de Estado da Educação Nacional (Maio 61 a Dezembro 62). Professor-fundador da nova Faculdade de Letras da Universidade do Porto —, sobretudo entregue aos seus cursos originais de Historiologia e História da Cultura Clássica —. Director bancário. Largo exercício de conferencista em muitos pontos do País, especialmente Lisboa e Porto. Professor-fundador e primeiro Director da Faculdade de Letras da Universidade de Lourenço Marques, abrangendo as direcções do Centro de Estudos Sarmento Rodrigues e do Centro de Psicologia, afectos à mesma Faculdade. (Em Lourenço Marques teve sempre e simultaneamente a seu cargo as cadeiras de Sociologia Geral, História Geral da Educação e História da Cultura Clássica.) Um dos Professores convidados pela Real Academia de Jurisprudencia y Legislación para a efectuação do ciclo de conferências Presencia de Juristas Portugueses em Madrid (1971). No exílio em Pretória (África do Sul), após o 25 de Abril, onze anos funcionário dos Correios sul-africanos. Regressado à Península em fins de 85, passou quatro anos na Galiza (Bayona), principalmente absorvido por cuidados científicos (Ciências do Homem), com muito particular aprofundamento dum dos seus amores: as letras espanholas. Voltando a Portugal em Abril de 89, reatou, com muitas e mui rigorosas limitações, a relação com algumas das pessoas, e alguns dos temas e interesses, de que o estadual abandono do Ultramar o afastara, metendo-o num decisivo e perene exílio d`alma.

Tem nesta altura, entre mãos, para, se possível, próxima publicação, os livros seguintes: Sete relances para uma Antropologia Moral da Expansão Portuguesa, Polemos. Poiesis. Psyche, Dois excursos camonianos e duas notas lusíadas, À margem... (páginas ético-políticas), e, sua versão do seu original castelhano, Tensões antropológicas e etnoculturais na civilização europeia e sua projecção no Direito, admitindo se lhe proporcione a tradução da Historia de los movimientos y separación de Cataluña de D. Francisco Manuel de Melo, além da vinda a lume das suas já efectuadas traduções do Diário Intimo de Miguel de Unamuno, e de alguns opúsculos de Maquiavel, e quiçá, também, de determinados e principais passos da Scienza Nuova de Vico.

Nos últimos decénio tem vindo somando Poemas da Solidão e do Silêncio — metade elegia, metade libelo — que, tal como alguns milhares de páginas de epistolografia e notações de Diário, admite recebam publicação póstuma de seus Filhos e Amigos.

Membro-fundador da Secção Portuguesa da Sociedade Guillaume Budé, Membro-fundador da Secção Portuguesa do Comité Internacional para a Defesa da Civilização Cristã (com idas aos Congressos de Lucerna, Viena e Estoril), membro da Academia do Mediterrâneo, Residente de Honra dos Colégios Maiores São Clemente e Generalissimo Franco de Santiago de Compostela, Insígnia de Ouro do Real Aeroclube da mesma cidade, integrou a Comissão Executiva da Causa Monárquica por convite do então Lugar-Tenente do Senhor Dom Duarte de Bragança, Professor Doutor Guilherme Braga da Cruz. Fez parte da Acção Católica (J.U.C.), Conferências de São Vicente de Paula, Congregação de Nossa Senhora e Apostolado da Oração.

Nenhuma condecoração. Nenhuma homenagem. (...)»

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