| Encruzilhada de Caminhos
por Luísa Amaral

É
facto já conhecido do público em geral: a «Editorial
Caminho» mudou de proprietário.
Alienada
a sua participação na «MediaCapital»,
Miguel Pais do Amaral «partiu para outra», ainda que com
contornos não muito distanciados dos que do antecedente
enformavam a sua actuação concentracionária na
área do (ainda que pequeno) mundo editorial português.
A
grande surpresa foi a disponibilidade do Partido Comunista Português
(PCP) em abrir mão de uma referência sua.
Com
efeito, por mais que se especule, argumente ou relativize, é
incontornável que a «Editorial Caminho»
constituía, por si mesma, uma referência «ao»
PCP.
Será
de admitir que na perspectiva dos seus dirigentes máximos
actuais ela já não constituísse uma referência
«do» PCP
? É matéria que não cabe a estranhos, para já,
abordar.
O
edifício onde se encontrava instalada a «Caminho»,
bem como parte do equipamento que nele se encontrava ao serviço
da editora, foram excluídos do negócio jurídico
efectuado.
Mas
não os direitos por ela detidos no que respeita à
edição de autores carismáticos, nem o pessoal
que com ela mantinham vínculos laborais.
Quanto
àqueles autores, Miguel Pais do Amaral ter-lhes-á até
assegurado um substancial aumento dos respectivos direitos de autor.
Quanto ao
pessoal laboralmente dependente, os «rumores» são
vagos, imprecisos. Quanto se sabe, parte dele terá que ser
dispensado.
Só
que o pessoal que laboralmente se encontrava vinculado com a
«Caminho» tem características especiais. Trata-se
de cerca de 50 pessoas ideologicamente conotadas com o PCP (se não,
mesmo, filiadas no Partido), grande parte das quais nela trabalhando
por largos anos, e portanto nada jovens. Quanto é de presumir,
o seu empenho ideológico e a sua dedicação terão
afastado a ideia de reivindicação de melhores salários
e suprido o incumprimento do dever geral da empresa de entretanto
lhes dar formação profissional actualizada e
certificada.
Daí
a ansiedade em que, por força do negócio realizado,
vive grande parte desses trabalhadores.
Na
verdade, adquiridas várias editoras Texto Editora, ASA, por
Miguel Pais do Amaral, é de todo evidente que o adquirente
tenderá a rentabilizá-las quanto possível,
aproveitando as melhores sinergias de cada uma delas. E muito
naturalmente dispensando as demais. É um elementar dever
empresarial!
Pelas
dispensas daquele pessoal (sem eufemismos, pelos despedimentos) que
se venham a verificar, será objectiva, imediata e publicamente
apontado e responsabilizado «o capital». Os trabalhadores
que se mantiverem ao serviço da nova entidade patronal terão
que o fazer para outra localidade, suportando o ónus das
inerentes deslocações.
Na
sombra restará incólume quem vendeu a empresa, mantendo
a propriedade dos bens imóveis e parte dos equipamentos que
lhe estavam afectos, mas traficando a situação laboral
e principalmente a dedicação das pessoas.
Despedimentos…
Negócios… Deslocalizações…
A que
dizer «NÃO»?
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