| A natalidade em Portugal
por Fernando Castro
Conforme
amplamente noticiado pela comunicação social, Portugal
atingiu, em 2006, o mínimo absoluto de natalidade,
com apenas
105 351 nascimentos.
Isto
quer dizer que, em 2006, nasceram
menos 57 323 bebés do que seria necessário para que o Índice Sintético
de Natalidade (ISN) fosse de 2.1 filhos por mulher em idade fértil.
O défice
total de crianças e jovens atingiu o número de cerca de
940 000 desde 1982, último ano em que o ISN foi igual a 2.1.
Os
gráficos abaixo mostram a evolução do ISN e o
actual défice de jovens e crianças por idade.


É
assim bem visível o resultado
da política anti-natalista praticada pelos diversos governos nos últimos 25 anos, fazendo
com que o país
seja cada vez menos viável e sustentável por falta de
crianças e jovens.
Tudo
aponta para que os
valores de 2007 ainda vão ser piores que 2006,
pelos indicadores que temos em nosso poder e dada a
liberalização do aborto.
Medidas
de apoio à família e à natalidade anunciadas
pelo Governo
A
APFN congratula-se
com as medidas anunciadas pelo Governo,
por duas razões:
-
Anunciou-as como
"medidas
de apoio à Família"
e não, como tem sido por muitos apregoado, como "medidas
de incentivo à natalidade",
que, como já referimos, é uma linguagem mais
apropriada no sector da pecuária. Com efeito,
Portugal necessita
de medidas de apoio à Família,
para que estas tenham
os filhos que desejam sem por isso serem penalizadas,
como actualmente acontece, fruto
das cada vez mais gravosas políticas anti-família
e anti-natalidade praticadas nos últimos 25 anos.
-
Apontou
na direcção correcta,
ao escolher como alvo
privilegiado as famílias com três ou mais filhos.
Com efeito, Portugal
só poderá recuperar a taxa de natalidade apoiando
especialmente estas famílias,
uma vez que são
as que contribuem, de forma positiva, para que o Índice
Sintético de Natalidade se aproxime dos desejados 2.1.
Como é óbvio, os casais com apenas 2 filhos fazem
aumentar (embora marginalmente) o défice demográfico,
que é ainda mais agravado pelos que apenas têm um ou
mesmo nenhum.
Em
25 anos, é a primeira vez que um Governo aponta na direcção
correcta!
Sem
lhe retirar nenhum valor, a
APFN vê estas medidas apenas como um pequeno
sinal da vontade de Sócrates de inverter a crescente queda da
taxa de natalidade.
Mas,
para isso, é necessário bastante mais,
como todos sabemos, e Sócrates
já demonstrou ter a capacidade de realizar!
Basta
fazer, relativamente ao défice demográfico, o que tem
vindo a fazer, com sucesso, relativamente ao défice das contas
públicas:
Anunciou publicamente o défice, estabeleceu metas para os anos
seguintes e prazo para o levar a zero, e as medidas necessárias
para o atingir! E, deste modo, todos podemos ser testemunhas, como
somos, do sucesso
das medidas adoptadas pelos resultados obtidos.
Do
mesmo modo, deverá
anunciar qual o actual défice na taxa de natalidade ((2.1-1.36)/2.1 = 35.2%), estabelecer
metas (que défices quer ter em 2008 e 2009 e em quantos anos levá-lo
a zero) e pôr
em prática medidas para atingir essas metas.
Depois, veremos... Se as metas forem ultrapassadas, poderá
aliviá-las, mas, se não forem, terá que
intensificá-las.
Trata-se
de um exercício extremamente simples, porque muitos países
já passaram pela situação de Portugal e já
há resultados.
Basta adoptar, não as medidas "giras", mas as
que deram melhor resultado!
O exemplo francês é o melhor, porque França
atingiu os desejados 2.1 num espaço de tempo razoável e, curiosamente, o grupo
populacional a atingir esse valor em primeiro lugar foram os casais
portugueses aí emigrados!
Ora, como é fácil de se perceber, os casais portugueses
obterão em Portugal os mesmos "resultados" que em
França no caso de Portugal adoptar a mesma política de
família que França!
A
APFN tem vindo a insistir em várias medidas, enumeradas no
nosso Caderno 15 – “Família: Semente do Futuro”,
disponível no nosso site (http://www.apfn.com.pt)
de que se realçam:
-
Acabar de vez
com a fortíssima política anti-família e
anti-natalidade do sistema fiscal português,
conforme foi reconhecido publicamente pelo actual Ministro das
Finanças no programa "Prós e Contras" de 6
de Novembro e que pode ser visto em http://apfn.ficheirospt.com/Nov2006/prosecontras061120006.wmv.
-
Actualizar
as pensões familiares com o mesmo critério que foi
seguido para a actualização das propinas nas
universidades,
isto é, actualizar para 2007 os valores que existiam em 1973.
Isto fará com que o abono de família passe para 120
Euros por mês, por filho, independentemente do rendimento
familiar e, obviamente, enquanto o filho estiver a cargo (pelo menos
a partir do terceiro filho). Mesmo assim, ficará em cerca de
metade do valor médio na Europa!
-
Entrar
em linha de conta com o número de filhos de cada pensionista
no cálculo da sua pensão de reforma,
uma vez que, considerar-se toda
a carreira contributiva quer dizer isso mesmo: toda!
E o nosso contributo é tanto em dinheiro como em filhos,
sendo este o
contributo mais importante! É
precisamente pela falta desse contributo que as pensões estão
ameaçadas!
A
APFN tem todas as razões para admitir ser possível
inverter-se a tendência em 2008, assim o
Governo queira, de facto, atingi-lo.
Como é óbvio, a APFN está totalmente disponível
para trabalhar com o Governo nesse sentido. |